Mercados cautelosos ensaiam recuperação

Ao longo do dia, os mercados, animados pelas altas nas bolsas norte-americanas e ainda sob os efeitos do anúncio do pacote argentino, ensaiaram uma recuperação, apesar da instabilidade do cenário. Mas as notícias de Buenos Aires do final da tarde não foram muito animadoras. A grande expectativa do mercado é em relação ao pacote de ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), que está condicionado ao pacote anunciado na sexta-feira à noite. Um dos principais aspectos do pacote argentino, e praticamente o único com possibilidade de implementação no curto prazo, é o congelamento dos gastos do governo federal e dos provinciais nos próximos 5 anos, como medida de contenção do déficit nas contas públicas. Mas as negociações com os governadores das províncias, na maioria de oposição, transcorrem com dificuldade. Além disso, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s reduziu as notas de avaliação (ratings) dos papéis argentinos e os sindicatos argentinos organizaram vários protestos no país, bloqueando ruas de Buenos Aires e estradas no interior.O dólar fechou em R$ 1,9530, com alta de 0,05%%, depois de cair até R$1,9420. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 18,090% ao ano, frente a 18,200% ao ano ontem. Em grande parte, a queda dos juros refletiu melhores cotações dos títulos do Brasil e da Argentina no exterior.Internamente, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,18%. A Bolsa foi estimulada pela Nasdaq, mas sofreu com as notícias a respeito da privatização do Banespa, marcada para dia 20. Entre ontem e hoje, três importantes candidatos desistiram do leilão, o BankBoston, Citibank e BBVA. Na sexta-feira, será realizada a pré-qualificação dos interessados. Está sob análise da Justiça uma ação apresentada ontem pelo Ministério Público Federal contra o leilão de privatização do Banespa. Espera-se que o resultado da apreciação saia entre quinta e sexta-feira.Amanhã será realizada a reunião mensal do FED - banco central norte-americano -, mas a expectativa quase unânima do mercado é que os juros permaneçam estáveis, em 6,5% ao ano.

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