Mercados cautelosos operam com tranqüilidade

Com a hipótese de que a queda do avião ontem em Nova York foi apenas um acidente, e não um novo ataque terrorista, os mercados no Brasil voltaram a operar de forma mais tranqüila, mas muito atentos ao cenário internacional. A reação forte dos investidores ontem logo após a notícia demonstrou que os negócios continuam muito suscetíveis a qualquer fato novo negativo. Ou seja, tanto a queda do dólar quanto a alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acumulados nos últimos dias podem ser revertidos a qualquer fato novo negativo. Hoje o dólar comercial iniciou o dia em baixa e às 11h03, estava cotado a R$ 2,5340 na ponta de venda dos negócios, com queda de 0,71% em relação aos últimos negócios de ontem. A Bovespa opera com alta de 0,58%. No mercado de juros, os contratos de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 20,620% ao ano, frente a 20,800% ao ano registrados ontem.A situação argentina é cada vez mais crítica. As fontes de recursos externos para o financiamento da dívida do país parecem ter chegado ao fim. Ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e seus acionistas cancelaram a linha de apoio financeiro ao país vizinho, pois acreditam que o principal para a Argentina, neste momento, é reestruturar sua dívida. Também não pretendem antecipar recursos de acordos já fechados. O Banco Mundial seguiu a mesma linha e sinalizou que não pretende oferecer uma nova ajuda ao país vizinho. Do lado interno, o presidente Fernando De la Rúa ainda não conseguiu o apoio dos governadores de províncias do partido Justicialista (oposição) para o corte no repasse de recursos. Mas, de qualquer forma, se De la Rúa fizer o que já anunciou, esta redução será feita com ou sem acordo, já que o país precisa cumprir o déficit zero. Economia norte-americana ainda dá sinais de fraquezaOutro foco de atenções no mercado internacional é o ritmo da atividade econômica norte-americana. O Banco Central dos Estados Unidos (Fed) já promoveu um corte de 1,5 ponto porcentual na taxa de juros do país após os atentados terroristas em 11 de setembro. Com isso, a taxa está hoje no patamar de 2,0% ao ano. O objetivo da política monetária de juros baixos é incentivar o consumo e o setor produtivo do país. Por outro lado, com a queda da inflação, os juros reais da economia não estão caindo no mesmo ritmo, o que coloca em risco o objetivo do Fed. Nesta sexta-feira, será divulgado o índice de inflação ao consumidor (CPI) e há muitos analistas que esperam um resultado negativo, ou seja, uma deflação. Caso esta expectativa se confirme, os mercados podem ter uma reação negativa. Juros e inflação no BrasilAs taxas de juros e os níveis de inflação no Brasil também atraem a atenção dos investidores. Os últimos dados sobre a inflação sinalizam que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá decidir pela manutenção da Selic, a taxa básica de juros da economia, em 19% ao ano. Isso porque, com a pressão sobre os preços provocada pela alta do dólar, um corte de juros neste momento poderia pressionar ainda mais os índices de inflação, já que o consumo seria incentivado. Um relatório do Lloyds TSB avaliou que, mesmo que o Copom não decida por um corte de juros em sua reunião marcada para a próxima semana, este ano poderá terminar com uma taxa de juros real menor do que a do ano passado. Segundo o relatório, caso a Selic fique em 19% ao ano até o fim de 2001, a taxa média de juros ficará em torno de 17,5% ao ano. Considerando-se que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 7,2% neste período, os juros reais serão de 9,6%, aproximadamente. Em 2000, o juro médio nominal ficou próximo a 17,7% ao ano e a inflação em 6%, o que significa que o juro real ficou em torno de 11% ao ano. Ou seja, há uma queda do juro real em 2001 na comparação com o ano passado. Mas, segundo o relatório, encerrar o ano com a Selic em 19% ao ano, ante 15,25% ao ano em 2000, "gera desconforto e pressão para a sua redução. O que é desejável para fins de atividade econômica e contas públicas, ainda que não deva ser implementado a partir da semana que vem".InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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