Mercados comemoram corte da Selic

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ontem, de cortar a taxa de juros básica - Selic - em 0,25 ponto, para 18,75%, foi interpretada de forma objetiva pelo mercado: o juro continuará recuando nos próximos meses. Diante desse entendimento, as taxas de juro projetadas no mercado de futuros mais longos ampliaram a queda. "O Copom ontem deu uma sinalização para o mercado de que a tendência do juro básico é, de fato, declinante. E a reação do mercado mostra que a mensagem foi entendida", afirma um operador.Para o mercado, essa decisão foi uma alternativa ao viés, que só poderia ser aplicado caso houvesse um evento previsto antes da próxima reunião que pudesse vir a justificar o corte. "O Banco Central deve estar trabalhando com algumas premissas que permitem a retomada da queda do juro e quis indicar isso para o mercado, sem correr riscos de prejudicar o rumo da inflação", arrisca um operador. No mercado, não havia dúvidas de que a Selic seria reduzida. Ninguém sabia ao certo quando isso ocorreria. Os operadores consideravam que era muito grande a chance desse corte acontecer em março. Para este mês, a possibilidade era considerada pequena. Isso porque os índices de inflação caíram pouco, na avaliação dos economistas. E o Copom vinha afirmando que só seria possível derrubar o juro quando houvesse sinais claros de que os índices de inflação estariam garantindo o cumprimento da meta do ano. E foi nisso que muitos profissionais se apoiaram para prever estabilidade do juro: no conservadorismo do Copom.Diante dessa "surpresa", muitos analistas criticaram hoje a decisão do BC. Esses profissionais dizem que o Copom deve ter abandonado a intenção de perseguir a meta de 3,5% do ano ao derrubar a taxa. Mas boa dos players defende que é exagerado fazer essa afirmação. Afinal, reduzir a Selic em 0,25 não deve gerar qualquer efeito sobre a economia: nem sobre o crédito, nem sobre o consumo, nem sobre as contas públicas. "Se a meta for descumprida com 18,75% de juro, também seria descumprida com 19%", diz um analista. Além disso, ninguém duvidava que o corte viria. "Quanto mais tempo o Copom demorasse para iniciar o corte, mais intenso ele teria que ser; a opção do Copom foi conservadora, de adotar uma redução paulatina da Selic", diz um profissional.O fato é que a decisão pode ter surpreendido a muitos, mas certamente não pegou o mercado desprevinido. As taxas já embutiam, há alguns dias, a possibilidade de haver uma redução da Selic. Mas ontem, no fim da tarde, essa hipótese tornou-se mais forte e provocou uma queda intensa dos DIs futuros. Nas mesas de operação, começou a circular um boato - que mais tarde transformou-se em fato - de que o juro iria recuar. "Não dá para dizer que foi incoerente, já que o próprio mercado já se posicionou contando com essa possibilidade", diz um operador.NúmerosHá pouco, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,4240 na ponta de venda dos negócios, em alta de 0,17% em relação aos últimos negócios de ontem. Os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano pagam juros de 18,82% ao ano, frente a 18,90% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 2,38%.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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