Mercados continuam nervosos e pessimistas

O cenário externo continua muito instável e os investidores têm reagido mal. As oscilações só não são maiores que o pessimismo. Ontem as bolsas nos Estados Unidos voltaram a despencar, causando fortes quedas nos mercados no mundo inteiro. No Brasil não foi diferente.Os indicadores, apesar de algumas contradições, continuam confirmando o baixo crescimento da economia norte-americana. Pode já estar havendo uma reversão nessa tendência, mas ela não se observa nos números. Para os investidores, porém, o mais grave é que os resultados das empresas dos Estados Unidos divulgados nessa virada de trimestre estão frustrando as previsões. Com isso, as ações das empresas estão perdendo muito valor e o nervosismo com a demora na retomada do crescimento e o impacto dos anúncios contribuem para que os preços oscilem muito.A Argentina continua no foco das atenções. É verdade que o anúncio de Domingo Cavallo para o Ministério da Economia foi bem recebido pelo mercado. Nos Estados Unidos, onde ele está buscando apoio para seu pacote de medidas, a boa receptividade confirmou-se. Porém, se a simpatia por Cavallo contém o pânico, não afasta as preocupações. Os investidores esperam uma reação da economia, em recessão há 33 meses. Antes disso, é difícil acreditar em uma reversão no pessimismo. O país não tem muito tempo: as metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estão longe de ser cumpridas, aumentando a necessidade de financiamento do governo. O número de céticos está crescendo.Mercados brasileiros revêem previsõesNo Brasil, a impossibilidade de isentar os investidores estrangeiros da CPMF para transações no mercado financeiro contribui para a saída de capitais da Bolsa no longo prazo. Além disso, a persistente alta do dólar, que ontem atingiu a sua mais alta cotação histórica frente ao real, deve começar a afetar os índices de inflação, preocupando os investidores quanto a um aumento nos juros.No início da manhã, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor registrado em março - alta de 0,51%. O resultado ficou acima da variação registrada na terceira quadrissemana do mês, de 0,45%, e muito maior do que a alta apurada no mês de fevereiro, de 0,11%.

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