Mercados continuaram em recuperação

Espera-se que o pacote econômico argentino seja divulgado na quinta-feira, quando o presidente Fernando de la Rúa retorna de visita oficial à Espanha. Muitos investidores apostaram em medidas drásticas de rompimento com o atual modelo econômico, como desvalorização, dolarização, calote da dívida ou demissão do ministro da Economia, Domingo Cavallo. Mas informações sobre o pacote já vazaram e não deve acontecer nada disso. O risco país da Argentina caiu abaixo de 1800 pontos. Ainda é altíssimo, mas já é uma queda. Assim, pelo menos no curto prazo, a confiança cresceu e as cotações nos mercados brasileiros voltaram a apresentar recuperação significativa. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou em ligeira queda, mas o dólar caiu sem intervenção do Banco Central, assim como os juros (veja os números abaixo).O pacote deve atenuar os apertos provocados pelos ataques terroristas aos Estados Unidos e suas conseqüências, incluindo renegociação da dívida interna com os fundos de pensão de cerca de US$ 15 bilhões e desconto no Imposto de Valor Agregado (IVA) para operações com cartões de crédito. A AFJP, entidade que reúne as administradoras de fundos de aposentadoria e pensão, exige garantias adicionais do governo, mas concorda com a troca de títulos. Dessa maneira, o governo espera pagar juros mais baixos, criando condições para o cumprimento do plano de eliminação do déficit público em 2001 e 2002.As más notícias foram o resultado das eleições de domingo, que deram maioria à oposição peronista no Senado assim como o maior número de cadeiras, embora sem constituir maioria, na Câmara. Quando assumir, em 10 de dezembro, os novos congressistas prometem criar obstáculos ao governo. O primeiro será a suspensão da Lei de Poderes Delegados, aprovada em março deste ano, que conferiu poderes especiais a Cavallo.Bolsas nos EUA fecharam em altaEmbora estejam oscilando muito nesse período de divulgação de resultados de empresas, as bolsas nos Estados Unidos voltaram a fechar em alta, trazendo mais elementos de otimismo para os investidores brasileiros. Mas os dados sobre a economia norte-americana divulgados hoje voltaram a demonstrar o forte desaquecimento econômico, e enquanto perdurar a guerra na Ásia Central e a ameaça de novos ataques terroristas, os mercados continuarão cautelosos.Copom deve manter SelicO Conselho de Política Monetária (Copom) realiza hoje e amanhã a sua reunião mensal para discutir a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. Espera-se que a taxa seja mantida nos atuais 19% ao ano. Por um lado, o cenário instável não permite uma queda, mas também não parece necessário, aos olhos de muitos analistas, elevar a Selic. A inflação está sob controle e o câmbio estabilizou-se, mesmo que a um patamar elevado. O governo evita uma subida, que aumentaria as despesas com juros e, portanto, exigiria novo ajuste fiscal.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,7150, com queda de 2,09%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,960% ao ano, frente a 23,510% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,64%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 5,87%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,39%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,52%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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