Mercados: Copom confirmou expectativas

Conforme previsto, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, em 16,5% ao ano. Com isso, os investidores voltam suas atenções para as outras questões que tem afetado os mercados: crise Argentina, incertezas econômicas e políticas nos EUA, preço do petróleo e balança comercial brasileira.Embora o cenário para a economia brasileira esteja bastante positivo, o saldo da balança comercial tem sido bastante decepcionante. Enquanto a previsão inicial do governo para o ano estava em US$ 4 a 5 bilhões, a expectativa agora é de que o resultado seja um déficit de US$ 200 milhões. Com isso, o Brasil depende da entrada de investimentos externos, ficando vulnerável ao acontecimentos internacionais, um dos motivos para o governo não baixar os juros.Se o cenário internacional estivesse positivo, a dependência não seria tão problemática. Mas, se já havia um receio em relação aos mercados emergentes, a crise da Argentina piorou a situação. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já declarou que envia uma missão para Buenos Aires para negociar um pacote de ajuda financeira de até US$ 20 bilhões. Enquanto o pacote não sai, os investidores estão calmos, mas cautelosos.O preço do petróleo continua alto e sem perspectivas de cair até o final do inverno no hemisfério norte, quando diminui novamente a demanda por óleo de aquecimento. E nos Estados Unidos, alguns indicadores econômicos são preocupantes, como o déficit comercial, que chegou a US$ 34,26 bi em setembro. E ontem o Morgan Stanley Dean Witter anunciou alerta máximo para a possibilidade de crise global já no primeiro trimestre de 2001. O temor é que a economia norte-americana entre em recessão, afetando o mundo inteiro. A indefinição das eleições presidenciais nos EUA, cujo quadro só tem se agravado, piora ainda mais a percepção dos investidores.Mesmo assim, privatizações animam mercadosMas o mercado ainda não acabou de absorver a privatização do Banespa, que rendeu muito mais que o governo esperava, dando uma injeção de ânimo aos investidores. Isso sem contar a enxurrada de R$ 7,05 bilhões - em dólares - que deve entrar até segunda-feira. No dia 6 de dezembro é a vez da Cesp. Dos 9 interessados, 8 são estrangeiros, o que deve frear ainda mais as altas do dólar. Resta saber se a euforia perdurará ou se um possível agravamento da situação externa tornará a prejudicar o desempenho dos mercados.

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