Mercados: desistências do leilão surpreendem

Após um dia de euforia, embalado por várias boas notícias, os mercados foram surpreendidos pelas desistências de todas as empresas concorrentes ao leilão de privatização da Cesp Paraná. O leilão não ocorrerá, já que nenhuma empresa fez o depósito das garantias necessárias para concorrer. As empresas alegaram, entre outras razões, não ter tido tempo para avaliar a licença concedida apenas ontem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e o risco da dívida da empresa em dólar. O movimento foi de cautela por parte dos grupos estrangeiros interessados na Cesp. Mas, de qualquer forma, acredita-se que a privatização ainda ocorra, só não se sabe quando. Os dois últimos a desistir fizeram seus anúncios apenas após o fechamento dos mercados. Portanto a reação dos investidores à inviabilidade do leilão só ocorrerá hoje. E não se sabe qual será o seu efeito. Como todos os pretendentes ao leilão eram estrangeiros, a expectativa dos investidores era de que houvesse uma entrada de dólares no mínimo equivalente ao preço mínimo, de cerca de R$1,7 bilhões. Com essa expectativa frustrada, é possível que se observe hoje um maior pessimismo dos mercados, especialmente refletido numa alta nas cotações do dólar.Altas nos mercados norte-americanos entusiasmamMas não se pode apostar no fim do otimismo. O dia trouxe boas notícias, em especial dos Estados Unidos. Em pronunciamento ontem pela manhã, o presidente do FED - banco central norte-americano -, Alan Greenspan, declarou não acreditar que o desaquecimento da economia daquele país seja excessiva, mas já admite cortes nas taxas de juros no futuro. O mercado acredita que a queda nos juros tenha início em março. Além disso, ficaram bem mais remotas as chances de derrota do republicano George W. Bush na batalha legal pela presidência da República. Num cenário mais animador, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta expressiva de 10,48% e o Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - registrou alta de 3,21%. O reflexo nos mercados mundiais foi imediato. Os mercados de países emergentes, cujos principais pontos de incerteza são a crise na Turquia e na Argentina, registraram altas. Além disso, o governo turco anunciou que divulgará aspectos do pacote de ajuda econômica do Fundo Monetário Internacional (FMI) já na quarta-feira. Na Argentina, o governo declarou que se o orçamento de 2001, com os cortes incluídos recentemente, for aprovado pelo Senado até quinta-feira, o seu acordo com o FMI sai até segunda-feira. A reação no Brasil ao noticiário internacional foi bastante otimista. Resta saber se as altas em Nova York serão duradouras, já que se seguem a semanas seguidas de quedas, e se seus efeitos nos mercados brasileiros não serão frustrados, mesmo que momentaneamente, pelo fracasso do leilão da Cesp.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2000 | 08h35

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