Mercados devem permanecer mais estáveis

Ontem os investidores tomaram um susto com a queda do avião da American Airlines em Nova York, apenas dois meses depois dos atentados terroristas que atingiram o World Trade Center e o Pentágono. O feriado nos Estados Unidos reduziu muito o volume de negócios e a oscilação foi grande. Ao final da tarde, conforme foi ficando mais claro que deve ter se tratado de um acidente, a calma voltou e as cotações recuperaram-se.De qualquer forma, já não se esperava que as fortes altas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e quedas nos juros e no dólar se repetissem. A percepção do mercado é de que o pessimismo em outubro foi exagerado, mas ainda há muitas incertezas, e os atuais patamares de negociação devem se manter por algum tempo. Nessa semana, em especial, o feriado da Proclamação da República na quinta-feira deve manter os investidores sem ânimo para grandes movimentações.Para aqueles que, embalados no otimismo da semana passada, começaram a falar em queda nos juros, as perspectivas não são boas. Os índices de inflação de outubro indicaram pressão inflacionária surpreendente, e poucos analistas acreditam que na reunião do dia 21 o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá a Selic, taxa básica referencial de juros, atualmente em 19% ao ano. Ainda assim, vale ressaltar que o coordenador de Pesquisa de Preços da Fipe, Heron do Carmo, considera grandes a chances de queda ainda esse ano, conforme apuração de Francisco Carlos de Assis.Ninguém mais acredita na recuperação argentinaEmbora tenha declarado que a visita aos Estados Unidos tenha lhe rendido mais que o esperado, a situação do presidente Fernando de la Rúa é melancólica. O Brasil deixou de interceder pelo país vizinho frente a organismos internacionais e governos estrangeiros. O presidente Bush não fez promessas e o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) abandonaram os argentinos à sua própria sorte. Avisaram que o tamanho da dívida do país é incompatível com as suas possibilidades de financiamento. Assim, enquanto não for concluída a reestruturação da dívida, não devem surgir recursos de fontes internacionais.Esse é o caminho mais curto para o calote. A Argentina esperava a antecipação de US$ 1,6 bilhões prometidos pelo Fundo para dezembro para poder honrar os seus compromissos externos em 2001. E mesmo que conseguisse essa ajuda e mais a restruturação da dívida nos termos desejados, ainda não seria suficiente, segundo analistas, para garantir o déficit zero nas contas públicas no ano que vem. Promover a retomada econômica, então, seria bem mais difícil. A questão agora é como a ruptura ocorrerá, se um calote negociado ou desordenado. E quais serão as reformas no modelo econômico - claramente fracassado - que o governo promoverá: ajuste fiscal, desvalorização, dolarização... Teme-se ainda pelos prejuízos. Certamente os argentinos perderão, mas quem mais? E quanto? Para os investidores brasileiros, confiantes no "descolamento" da crise argentina, essas duas últimas perguntas são as mais relevantes.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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