Mercados: dólar dispara com adiamento do leilão

As tensões continuam crescendo no mercado, levando o dólar novamente a quebrar o recorde histórico. Hoje, o comercial para venda fechou em R$ 2,3410, com elevação de 1,12%, pouco depois de atingir a cotação máxima do dia de R$ 2,3430. O estopim da alta de hoje foi o adiamento do leilão da Cesp Paraná, marcado para amanhã. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tomou a decisão em função das incertezas em torno do programa de redução de consumo de energia, que poderiam reduzir o preço no leilão.O problema é que o mercado esperava uma entrada de cerca de US$ 800 milhões se a Cesp fosse arrematada por um grupo estrangeiro, o que seria mais provável. Frustrado o leilão, a reação foi bastante negativa, traduzida na alta do dólar. Esse foi apenas o primeiro efeito da crise energética, que tem deixado os mercados muito nervosos.Já se sabe que a crise no abastecimento de eletricidade terá efeitos negativos no desempenho da economia, além de pressionar os preços. Mas como o governo ainda não divulgou os detalhes do plano de redução de consumo, é impossível avaliar seu impacto. Além disso, a duas semanas do início do racionamento, os consumidores, as empresas e o próprio governo têm pouco tempo para se organizar e minimizar o impacto da crise. Já se espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), na sua próxima reunião mensal, dias 22 e 23 eleve consideravelmente a Selic - a taxa básica de juros da economia -, atualmente em 15,57% ao ano.Na Argentina, os bancos internacionais envolvidos na operação de renegociação da dívida de curto prazo do país divulgaram hoje que os detalhes do acordo saem até o final do mês. Os investidores estão ansiosos para conhecer o pacote completo de recuperação econômica, incluindo os detalhes da reestruturação dos créditos e as garantias que a serem oferecidas aos credores. Se o governo conseguir convencer os mercados, as cotações podem se recuperar. Mas a tarefa não é simples, pois a economia está em recessão há 34 meses, com câmbio fixo sobrevalorizado e as metas definidas no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são consideradas pouco realistas.Hoje o Fed - Banco Central norte-americano - decidiu, conforme as expectativas do mercado, pela redução da taxa de juros básica, de 4,5% para 4% ao ano. As bolsas em Nova York já esperavam o corte, e a reação foi pequena. Nos mercados brasileiros, a boa notícia não teve grande efeito, devido às tensões com a Argentina e com a crise energética.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3410, com alta de 1,12%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,750% ao ano, frente a 23,100% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,67%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 0,82%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em ligeira queda de 0,04%%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 0,18%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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