Mercados: dólar dispara e Bovespa despenca

O otimismo da virada do ano foi revertido nessa semana e o dólar disparou, fechando nesta quinta a R$ 2,4220 para a venda no comercial, acumulando uma alta de 5,53% desde o dia 3, quando fechou a R$ 2,2950. A principal razão é a crise argentina, que continua se agravando, na medida em que o feriado bancário e cambial não acaba. A volta das operações à normalidade foi adiada para segunda-feira, mas ainda é incerta.Os juros também subiram por causa da alta na inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), e as ações do setor elétrico fizeram a Bolsa de Valores de São Paulo despencar.O mercado brasileiro, que se julgava imune aos acontecimentos na Argentina, não previa uma crise nas atuais proporções. E as medidas determinadas pelo presidente Eduardo Duhalde aumentam a apreensão dos investidores.Por um lado, as conseqüências desastrosas da desvalorização do peso, como a disparada do câmbio e dos preços, o bloqueio dos depósitos em dólar - que serão pagos gradualmente até agosto de 2003 -, e o agravamento da recessão podem reacender a ira popular. Já surgem boatos de renúncia do presidente e de sua equipe.Além disso, foram feitas várias isenções dos efeitos mais duros, como pesificação das dívidas até US$ 100 mil, e câmbio oficial a P$ 1,40 para as operações relacionadas ao comércio exterior. O problema é que o sistema bancário ainda mantém sua contabilidade em dólares e paga suas dívidas na moeda norte-americana, e não se encontra uma compensação para as perdas com a pesificação, que pode chegar a US$ 15 bilhões.Como não se vê ainda um rumo claro na condução da política econômica e nem perspectiva de fim da crise, o mercado brasileiro começa a ser afetado. Empresas com operações nos dois países passaram a comprar dólares aqui para compensar as perdas na Argentina, pressionando as cotações.A divulgação na quarta-feira, após o fechamento dos mercados, da primeira prévia de janeiro do IGP-M decepcionou os analistas, que previam um resultado mais baixo do que 0,47%. É apenas um dentre vários índices de inflação, mas que somado à modesta queda nos preços dos combustíveis, alta do dólar e instabilidade argentina, tornam mais provável uma postura mais conservadora do governo quanto aos juros.Muitos já esperavam um corte significativo da Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 19% ao ano, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 22 e 23 de janeiro. Essas previsões estão sendo revistas e os contratos referenciados em juros mostram alta.E, além do pessimismo geral, as ações do setor elétrico caíram com as novas medidas baixadas pelo governo, que proíbem o reajuste de tarifas de energia pelas geradoras em 2003. Com isso, a rentabilidade das empresas deve cair, o que puxa o preço dos papéis.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4220, com alta de 1,98%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 19,385% ao ano, frente a 19,115% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,21%.A Bolsa de Valores de Buenos Aires continua fechada. Às 18h40, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentava queda de 0,38%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em queda de -0,09%0,09%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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