Mercados: dólar e juros continuam disparando

Os mercados voltaram a oscilar muito ao longo do dia, tentando encontrar um rumo depois do pânico de ontem. O nervosismo não diminuiu e o dólar atingiu sua cotação de fechamento mais alta desde a criação do real, fechando em R$ 2,1720, com alta de 0,46%. A alta dos juros também parece não ter mais limites. Frente à Selic, a taxa básica referencial da economia, de 15,75% ao ano, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,050% ao ano, frente a 21,000% ao ano ontem. Normalmente, esses contratos operam com taxas mais elevadas que a Selic, mas raramente com a diferença observada hoje. A preocupação com a Argentina, a desaceleração da economia norte-americana e as altas nos indicadores de inflação mais recentes, como o valor da cesta básica divulgado hoje com alta de 1,54% (entre os dias 15 e 22), mantêm os mercados nervosos. O maior risco agora é que as altas do dólar e dos juros persistam e o governo seja obrigado a elevar a Selic ainda mais.Argentina pode estar reagindoA boa notícia é que quase todas as medidas econômicas do Plano de Competitividade argentino apresentado ao Congresso já foram aprovadas, faltando principalmente o pedido de dotação de poderes especiais ao novo ministro da Economia, Domingo Cavallo. Essa parte do pacote mede o apoio político a Cavallo e, caso seja aprovada, lhe dará amplo espaço de manobra.A sua presença no Brasil, o apoio do governo brasileiro e a indicação de que o país ao menos tem um plano, aprovado com agilidade pelo Congresso trouxe algum ânimo à Bolsa de Buenos Aires, que fechou em alta de 6,22%. Mas os juros interbancários dispararam hoje e muitos clientes correram para realizar saques bancários.As bolsas em Nova York subiram um pouco hoje, o que também deu um certo fôlego à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Mas as recuperações são tímidas frente às recentes quedas. A Bolsa fechou em alta de 2,62%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,23%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,64%.

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