Mercados: dólar e juros disparam

O dólar fechou em R$ 1,9100, com alta de 0,47%, a cotação mais alta desde 1º de dezembro de 1999. A maioria dos bancos previa que o patamar de R$ 1,90 só viesse a ser atingido na virada do ano. O dólar vem apresentando tendência de alta desde 31 de julho, mas o pico de hoje deveu-se à grande procura por tesourarias de bancos para hedge (proteção). Ou seja, temendo que a moeda norte-americana venha a subir ainda mais, os bancos compram para ter reservas, ao invés de aplicar em títulos cambiais ou comprar dólar no mercado futuro. O leilão de títulos cambiais do Banco Central hoje foi um fracasso. A movimentação no câmbio puxou os juros e derrubou a Bolsa. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 17,740% ao ano, frente a 17,550% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,36%.Argentina, Oriente Médio e balança comercial brasileira fazem dólar dispararA Argentina voltou a derrubar os ânimos nos mercados brasileiros. Apesar da aprovação do Fundo Monetário Internacional (FMI), o pacote anunciado ontem não convenceu os mercados, e sua aprovação não será fácil no Congresso argentino. Segundo analistas, mesmo que seja aprovado na íntegra, seu efeito será limitado e as principais causas da crise econômica, como o câmbio sobrevalorizado e o déficit nas contas do governo, não devem ser solucionadas de forma definitiva. O resultado são juros em elevação para compensar a desconfiança dos investidores. Cogita-se o rebaixamento da nota da Argentina pela classificação de risco de investimento da agência de avaliação Standard & Poor´s. Além dos problemas na Argentina, a situação instável no Oriente Médio está mantendo os preços do petróleo nas alturas. Hoje, os negócios com o petróleo bruto do tipo Brent para entrega em dezembro fecharam em queda de 1,56% em Londres, a US$ 31,59 por barril. Como os conflitos entre palestinos e Israel foram muito graves e não têm mostrado sinais de acomodação, uma queda nas cotações do produto está cada vez mais distante. Por fim, os dados divulgados ontem a respeito da balança comercial brasileira foram muito decepcionantes. O ministro do Desenvolvimento, Acides Tápias, declarou que a expectativa do governo é que o saldo da balança fique em torno de zero para o ano.Indiferente às turbulências na América do Sul, as bolsas nos EUA recuperam-seApesar das dificuldades nos mercados financeiros argentinos terem atingido o Brasil, cujos mercados vêm apresentando resultados bastante pessimistas, as bolsas nos Estados Unidos vêm dando sinais de recuperação. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,18%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 1,41%. Ainda assim, tem operado em níveis mais altos nos últimos quatro dias.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.