Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercados: dólar opera em alta de 0,48%

Os investidores não têm dúvidas de que o Banco Central (BC) estará novamente presente no mercado de câmbio hoje, com o objetivo de conter qualquer pressão de alta sobre as cotações do dólar. A moeda norte-americana abriu cotada a R$ 2,3150, em alta de 0,65% em relação aos últimos negócios de ontem. Há pouco era vendida a R$ 2,3110, com alta de 0,48%. Atentos aos números das contas externas do Brasil divulgadas ontem e às incertezas em relação à Argentina, ao desaquecimento da economia mundial e ao processo eleitoral de 2002, os analistas começam a se perguntar até que ponto o BC será capaz de segurar esta alta. O BC divulgou ontem o déficit em transações correntes. No acumulado de 12 meses, está em US$ 27,342 milhões, o que significa 4,76% do Produto Interno Bruto (PIB). No final do ano, a perspectiva é de que chegue a 4,97% do PIB, o maior do governo Fernando Henrique e não se espera uma melhora neste cenário. O BC já confirmou a queda de investimentos diretos para o País neste ano. Segundo os dados, a entrada de recursos deve ficar em torno de US$ 20 bilhões. No ano passado, este volume foi de US$ 30 bilhões. Na balança comercial, a previsão é de que o déficit - importações maiores que exportações - fique em torno de US$ 500 milhões. O saldo da conta corrente é o resultado da balança de serviços (viagens internacionais, remessa de lucros, pagamento de juros no exterior, entre outros), da balança comercial (diferença entre exportações e importações) e das transferências unilaterais (dinheiro de remessa de estrangeiros no Brasil ao exterior e vice-versa). Quanto mais negativo este saldo, mais dólares o País necessita para fechar suas contas.Analistas consideram que, mesmo com o anúncio de que o BC captará recursos no exterior para compensar a entrada menor de dólares, pode faltar moeda norte-americana no mercado, caso as condições da Argentina piorem ou o impacto do racionamento de energia seja muito forte na economia brasileira. Nestas situações, são as grandes as chances de que os investidores aumentem a demanda por dólar como forma de hedge (proteção). ArgentinaEm relação ao país vizinho, as notícias também não são positivas. Segundo apuração da correspondente Marina Guimarães, as contas argentinas também correm o risco de não fecharem até o final do ano. O acordo da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o déficit do primeiro semestre não ultrapasse o patamar de US$ 4,939 bilhões e, para todo o ano, este total não pode ser superior a US$ 6,5 bilhões. Os últimos dados revelam que só nos primeiros cinco meses de 2001, o governo já atingiu 99,2% da meta semestral, registrando um déficit de US$ 4,899 bilhões. O ministério de Economia acredita que em junho haverá o primeiro saldo positivo, em torno de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões. Mas, enquanto estes números não se confirmam, os investidores mantêm-se cautelosos em relação ao país vizinho.Além disso, as últimas medidas adotadas pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, que diferenciou o câmbio para operações comerciais e financeiras, soaram para muitos analistas como o primeiro passo no sentido de acabar com a paridade dólar/peso. Este cenário gera muitas incertezas, já que a maioria da dívida do governo e de empresas privadas está vinculada ao dólar, o que põe em risco a saúde financeira do país. Veja os demais números do mercado financeiroA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em baixa de 0,69%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 21,650% ao ano, frente a 21,300% ao ano ontem.Em Nova York, as bolsas operam em baixa, apesar da expectativa de que o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) reduza a taxa de juros em 0,5 ponto porcentual em sua reunião que termina amanhã. Hoje a taxa é de 4% ao ano. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - está em queda de 0,75%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - opera com baixa de 1,24%. Na Argentina, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires opera com queda de 1,07%.InvestimentosNão deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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