Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Mercados: dólar recua com oscilações

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto porcentual - de 16,75% ao ano para 18,25% ao ano -, com viés de baixa, surpreendeu os analistas e começa a ser avaliada pelos investidores no início desta manhã. A colocação do viés significa que o presidente do Banco Central (BC) pode reduzir a Selic antes da próxima reunião, em 17 e 18 de julho.O estrategista da BankBoston Asset Management, Márcio Verri, assim como muitos analistas, acredita que esta elevação dos juros não será suficiente para conter a alta do dólar e que, para isso, o BC teria que aumentar a oferta de moeda norte-americana ou de títulos cambiais no mercado financeiro. A assessoria de imprensa do BC anunciou que o presidente da instituição, Armínio Fraga, concederá uma entrevista às 11h sobre a atuação do BC e sobre o mercado de câmbio.Hoje o dólar abriu em baixa e chegou ao patamar mínimo de R$ 2,4220. Depois, voltou a subir, mas ainda abaixo da média dos negócios de fechamento de ontem. Há pouco, estava cotado a R$ 2,4290 na ponta de venda dos negócios - queda de 1,61% em relação às últimas operações de ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 0,18%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 22,400% ao ano, frente a 22,500% ao ano ontem.Efeitos da alta da SelicNo primeiro momento, a decisão do BC foi criticada por muitos analistas, já que pode não ser suficiente para conter a alta do dólar. Em relação aos efeitos na economia, a alta pode provocar uma retração no consumo, o que reduziria a pressão de alta sobre os índices de inflação.Esse é o objetivo maior da equipe econômica que pretende cumprir: a meta de inflação acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 4% com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais neste ano e de 3,5% em 2001. Porém, analistas comentam que este efeito só é percebido no médio prazo. Desta forma, como o problema de racionamento de energia também pode ter esta conseqüência, pois provoca uma retração do consumo no médio prazo, há a possibilidade de que a elevação da taxa Selic em 1,5 ponto porcentual desaqueça muito a economia brasileira. Outro ponto negativo da alta da Selic é o aumento da dívida pública do País - um pouco mais de 50% desta dívida é corrigida pela taxa básica de juros.Dólar: sem parâmetroSegundo os analistas, a dificuldade para se estabelecer um projeções para a moeda norte-americana é cada vez maior. De acordo com o estrategista do Deutsche Bank, José Cunha, não há mais parâmetro para esta avaliação. No ano, a moeda norte-americana oficial acumula uma valorização de 26,56%.Apesar da tentativa do BC de conter a alta do dólar, não há nenhuma certeza de que a moeda norte-americana não volte a subir. Isso porque a situação na Argentina ainda é muito preocupante e, caso o cenário no país vizinho piore ainda mais, os investidores poderão optar por continuar incorporando dólares à carteira de aplicações como forma de hedge (segurança). Para o estrategista-sênior para mercados emergentes do BNP Parribas, Ricardo Amorim, o último pacote de medidas econômicas divulgado pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, que diferenciou o câmbio para as relações comerciais, "é um claro sinal de que a paridade cambial peso/dólar na Argentina não é eterno". Como 90% da dívida pública do país e 70% da dívida privada na Argentina são atreladas ao dólar, o fim da paridade representa uma elevação muito forte dos custos do governo e das empresas argentinas, o que pode comprometer de forma significativa a saúde do país.Além disso, as perspectivas de redução dos investimentos diretos para o Brasil em 2001 e o saldo deficitário - importações maiores que exportações - da balança comercial pioram ainda mais este cenário já que a oferta de dólares no mercado interno será menor. Neste ponto, resta saber se o BC estará disposto a cobrir esta escassez de moeda. Veja nos links abaixo mais informações sobre a decisão do Copom e como ficam seus investimentos.

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