Mercados em clima de cautela com Argentina

O mercado financeiro começa o dia reagindo à notícia de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) não vai liberar a parcela de recursos de US$ 1,260 bilhão para a Argentina. A decisão foi divulgada ontem, após o fechamento dos mercados e, portanto, a reação dos investidores será conhecida hoje. No Brasil, apesar do agravamento da situação do país vizinho, os mercados tentam manter o equilíbrio. Os analistas já esperavam por uma piora do quadro argentino, o que faz com que o clima não seja de surpresa. Porém, alguma instabilidade poderá surgir nos próximos dias. O correspondente em Nova York, Fábio Alves, apurou que, com a decisão do FMI, a Argentina poderá declarar default - leia-se calote - das dívidas que vencem neste mês. A opinião é dos diretores de pesquisa e renda fixa de mercados emergentes do JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs e Deutsche Bank. Esta situação, segundo estas instituições, deve ser seguida por um processo de desvalorização do peso argentino (veja mais informações no link abaixo). Os analistas acreditam que o impacto deste quadro sobre os mercados brasileiros deve ser temporário. Para a Merrill Lynch, segundo informa o correspondente, o dólar deve ficar em torno de R$ 2,40 no final deste ano e R$ 2,30 no fim do primeiro trimestre de 2002. Os motivos para este descolamento do Brasil em relação à Argentina, segundo a instituição, é a melhora dos fundamentos internos - menor pressão sobre juros e inflação e fortalecimento do balanço de pagamentos. A Merrill Lynch também informou que o Brasil é o seu mercado favorito na América Latina para 2002. Desconfiança cresce na Argentina A desconfiança dos investidores em relação à saúde financeira da Argentina é cada vez maior. Ontem a taxa de risco do país superou os 4.000 pontos-base. Na Argentina, com a limitação dos saques a US$ 1 mil mensais, muitos argentinos estão recorrendo às casas de câmbio para conseguir dólares. Como as transações com cheques e cartão de crédito não foram limitadas, os argentinos têm comprado dólares neste mercado paralelo. Mas, para levar um dólar, os argentinos precisam entregar 1,12 peso. Os argentinos também estão optando por comprar ADRs na Bolsa de Buenos Aires, ao invés de ficar com o dinheiro que não pode ser sacado. Estes papéis são ações de empresas argentinas cotadas em Nova York. Como é um mercado que não está sob o comando do governo Fernando De la Rúa, os investidores acreditam que está é uma aposta menos arriscada. O resultado é que a Bolsa de Buenos Aires vem operando em forte alta nos últimos dias. Veja os números do mercado O dólar comercial para venda está cotado a R$ 2,4390, com alta de 0,12%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 21,150% ao ano, frente a 21,200% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com queda de 0,46%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

06 Dezembro 2001 | 11h32

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