Mercados em recuperação cautelosa

Os mercados continuam em lenta recuperação, apesar da cautela, com os anúncios iminentes da operação de troca de títulos da dívida argentina e das medidas do governo federal para o controle do consumo de energia. Como essas duas crises têm sido os focos de tensão por trás do pessimismo nos negócios, a divulgação de soluções alivia os investidores. Porém, ainda é cedo para falar em retomada do otimismo.O governo argentino deve anunciar entre amanhã e segunda-feira a operação de conversão da dívida de curto prazo, dependendo apenas de procedimentos burocráticos. A troca de títulos chegará a, no máximo, US$ 29 bilhões, incluindo US$ 4 bilhões já autorizados anteriormente. A notícia é positiva, pois dá um alívio para o governo nas contas públicas nos próximos anos, afastando o risco de uma moratória no curto prazo.Porém, persiste o desafio da retomada do crescimento do país, há 34 meses em recessão. Ainda existe o problema do peso sobrevalorizado no regime de câmbio fixo, que compromete a competitividade dos produtos argentinos e a dificuldade em cumprir as metas determinadas para as contas públicas. Mesmo as metas renovadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são consideradas pouco realistas.As expectativas em relação às medidas de contenção do consumo de energia elétrica, a serem divulgadas amanhã pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, têm melhorado. A preferência do governo em administrar a crise por meio de tarifa agrada o mercado muito mais que a possibilidade de apagões. Além disso, a sobretaxa do consumo residencial apenas acima de 250 kWh por mês isenta 70% dos consumidores dos inconvenientes do racionamento, o que preserva a popularidade do governo. De qualquer forma, a mobilização da sociedade pela economia de energia pode minimizar bastante os impactos do racionamento.Porém, os analistas já elevam suas projeções de inflação, que deve ficar próxima do teto da meta - 6% em 2001 do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA). O reajuste da tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, de R$ 1,15 para R$ 1,40 terá peso relevante nos índices. Uma opção para o governo é elevar os juros, inclusive para controlar o consumo, com vistas a uma contenção da alta do dólar, mas eventuais aumentos nas taxas terá impacto indesejável no crescimento econômico. Fechamento dos mercadosA Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,54%. O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3050, com queda de 0,60%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,650% ao ano, frente a 22,330% ao ano ontem. Nos Estados Unidos, as bolsas continuam em recuperação depois do corte de terça-feira no juro básico, de 4,5% para 4%. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,29%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 1,26%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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