Mercados em ressaca pela euforia de ontem

Depois da euforia de ontem, embalada pelo discurso do presidente do FED - banco central norte-americano -, Alan Greenspan e pela expectativa positiva em relação ao leilão de privatização da Cesp, os mercados tiveram um dia de fortes oscilações. O cancelamento do leilão pela desistência dos concorrentes frustrou a expectativa de entrada de dólares, levando a altas nas cotações da moeda e provocou quedas na Bolsa. O dólar fechou em R$ 1,9730, com alta de 0,82%. E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,66%. Muitos investidores também aproveitaram a alta de ontem para vender ações e embolsar o lucro realizado.Ontem, o discurso de Greenspan contemplava a possibilidade de queda nas taxas de juros no médio prazo. A expectativa do mercado é que o movimento de queda inicie-se em março de 2001. Daí a euforia nos mercados norte-americanos ontem, que também sofreram um pequeno refluxo hoje. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 2,16%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 3,21%. A expectativa dos analistas é de que a tendência de alta, porém, matenha-se. No Brasil, o otimismo manteve-se no mercado de juros, menos sensível ao leilão da Cesp e afetado mais diretamente pelos juros nos Estados Unidos. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 17,800% ao ano, frente a 17,950% ao ano ontem. A outra boa notícia veio dos países emergentes em crise financeira. A Turquia anunciou um pacote de ajuda internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 10 bilhões, o que acalmou os investidores. Na Argentina, o líder peronista no Senado anunciou que espera que o orçamento de 2001 seja votado até amanhã. Se esse prazo se concretizar, a expectativa é de que o pacote do FMI para a Argentina seja anunciado no início da semana que vem. Somados todos esses fatores, espera-se que a pressão externa sobre o mercado brasileiro ceda gradualmente. Mas deve-se manter a cautela, mesmo porque esses movimentos ainda não estão consolidados e há outros fatores de instabilidade, como os preços internacionais do petróleo, que se mantêm elevados.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2000 | 19h01

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