Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Mercados emergentes já perderam mais de US$ 2 bilhões

'Efeito Trump' aumentou aversão ao risco dos investidores internacionais

Altamiro Silva Junior, correpondente, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2016 | 21h51

NOVA YORK - A vitória de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos aumentou a aversão ao risco dos investidores internacionais. Apenas nesta semana, houve fuga de US$ 2,4 bilhões dos mercados de ações e de bônus dos emergentes, de acordo com dados preliminares do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo e com sede em Washington.

A retirada de recursos dos emergentes foi mais forte na quarta e na quinta-feira, dois dias de forte saída de capital, de acordo com o IIF. O nível de incerteza sobre a agenda de Trump é muito alto, ressaltam os economistas. Com Trump, a avaliação do IIF é que a política dos EUA está entrando em um período que promete ser “bagunçado, volátil e não convencional.”

O movimento de fuga de recursos provocou forte desvalorização das moedas dos emergentes, na média de 2,5% esta semana até o fechamento de ontem. O México foi o país cuja divisa teve a maior desvalorização. O peso mexicano teve baixa histórica frente ao dólar, acumulando perda de quase 10% nos últimos dias, até o fechamento de ontem.

A bolsa brasileira ficou com a segunda maior queda do mundo entre os diversos ativos financeiros após a vitória de Trump, na madrugada de quarta-feira. A Bovespa teve retração na casa dos 8% nos últimos dias.

Seguindo a lista de quem mais perdeu com a vitória do republicano, estão as bolsas dos países emergentes em terceiro lugar, seguidas pelos bônus dessas regiões.

O levantamento revela, por outro lado, que certas moedas de emergentes têm sido mais resistentes à volatilidade do câmbio. O aumento dos preços das commodities metálicas beneficiou as divisas do Chile e da Colômbia, que tiveram valorização, segundo o IIF.

Entre os ativos que ganharam com a vitória de Trump estão aqueles que seriam favorecidos na gestão de Trump. As ações de empresas de biotecnologia ficaram em primeiro lugar, seguidas pelos bancos dos EUA. A expectativa é que eles se beneficiem com menos regras, como é tradição do partido republicano, que defende o livre mercado. O dólar também ganhou força, junto com a libra.

O relatório divulgado pelo IFF ontem traz um levantamento detalhado que revela quais mercados lucraram e perderam no mercado financeiro internacional desde que os norte-americanos foram às urnas.

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