Mercados ensaiam otimismo, apesar da Argentina

Os mercados estão operando com maior estabilidade nos últimos dias, com um tímido otimismo, contido pelas quedas seguidas nas bolsas norte-americanas e pelas altas do dólar na Argentina. O cenário externo é preocupante e contém as boas perspectivas para a economia brasileira.Momentaneamente, o cenário externo é que tem influenciado mais os negócios. As bolsas de Nova York recuperaram-se um pouco ontem, com bons dados sobre o número de pedidos de desemprego e resultados melhores que o esperado de algumas empresas, mas vêm acumulando quedas desde o início do ano. E, se a economia não começar a se recuperar no segundo semestre, como se prevê, o pessimismo pode afetar o Brasil.E a Argentina continua preocupando. Ontem o governo decidiu permitir que os poupadores com saldo de até US$ 5 mil convertam seus depósitos à taxa oficial de $1,40 peso e transfiram a quantia em pesos para suas contas. Além disso, será possível sacar 10% do saldo das contas em peso além dos limites já estabelecidos, de $1,5 mil pesos para as contas-salário e $1,2 mil pesos para as demais. Com isso, o governo pretende acalmar os ânimos de 75% dos poupadores e injetar mais dinheiro na economia. Ontem o dólar disparou para $2,20 pesos, devido à forte procura e a Bolsa de Valores de Buenos Aires reabriu depois de oito dias fechada, com forte queda pela manhã e alta no fechamento. Segundo analistas, a bolsa está sendo usada para desbloquear depósitos e tirar dinheiro do país. De outras maneiras, muitos investidores já descobrem como fazer remessas internacionais. O governo investiga saídas de aviões carregados de dólares para bancos no Uruguai.Ao menos o Fundo Monetário Internacional (FMI) está negociando com o governo argentino, depois de ter concedido anistia dos pagamentos devidos por 12 meses. Sem recursos externos, será difícil limitar os efeitos da crise. Mas Estados Unidos e União Européia também pressionam o governo para que adote um programa sustentável para solucionar os problemas, ou seja, retomar o equilíbrio das finanças e o crescimento econômico, mesmo que não imediatamente.Conjuntura interna é boa, mas cambiais e sucessão preocupamA tendência da inflação é decrescente, mas a meta do governo de 3,5% é bastante apertada. Para o ano que vem, nas próprias projeções do governo, haverá folga maior para derrubar os juros, barateando o crédito sem pressionar demais os preços. Ainda assim, espera-se um corte em breve da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 19% ao ano, e a economia deve crescer até 3% em 2002. Além disso, as contas externas mostram tendência bem melhor, com fortes aumentos nos saldos comerciais. Nesse quadro, é esperada uma evolução otimista nas cotações.Internamente, os dois fatores de preocupação são a forte concentração de vencimentos de títulos cambiais nesse primeiro trimestre e a instabilidade que a campanha presidencial pode gerar. Quanto aos cambiais, o governo realizou a segunda operação de rolagem antecipada. A operação foi considerada um sucesso, já que as taxas negociadas foram mais baixas do que na primeira rolagem, realizada em 14 de dezembro.Em relação à sucessão presidencial, os mercados sentirão os efeitos progressivamente ao longo do ano, especialmente no segundo semestre. Ao menos agora já se conhecem os três prováveis candidatos com maiores chances, Lula, José Serra e Roseana Sarney. Conforme o quadro sucessório se mostrar mais favorável a teses mais conservadoras em termos de política econômica, os investidores farão lances mais otimistas. Mas se houver um crescimento das suspeitas de ruptura, o pessimismo deve aumentar.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.