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Mercados ensaiam recuperação

Bancos centrais reduzem volume de intervenções e Bolsas sobem na Europa e na Ásia; Bovespa recua 0,39%

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Aos poucos, as intervenções dos bancos centrais no sistema financeiro começam a ter efeito positivo entre os investidores. Ontem, os mercados globais tiveram um dia mais tranqüilo. As bolsas de valores subiram na Ásia e na Europa e tiveram leves desvalorizações nos Estados Unidos. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 0,39%.  Entenda a crise nos mercadosAnalistas avisam que, apesar da leve melhora, as turbulências devem continuar. "Não dá para dizer que as coisas se acalmaram de vez, mas houve menos pânico e mais racionalidade", definiu Maristela Ansanelli, economista-chefe do Banco Fibra.Os sinais de melhora começaram com as notícias envolvendo os próprios bancos centrais. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e o Banco do Japão fizeram intervenções consideradas corriqueiras no mercado interbancário. O primeiro emprestou US$ 2 bilhões e o segundo, o equivalente a US$ 5,1 bilhões (ou 600 bilhões de ienes. "Não foi nada diferente de um dia normal", disse Alexandre Maia, economista-chefe da Gap Asset Management. De seu lado, o Banco Central Europeu (BCE) foi obrigado a injetar recursos no mercado pelo terceiro dia útil seguido. Mas o montante caiu. Foram US$ 65 bilhões ( 47,7 bilhões), ante US$ 130 bilhões na quinta-feira e US$ 83,5 bilhões na sexta. "A atuação dos bancos centrais mudou totalmente o cenário", afirmou Maia. "Eles deixaram claro que estão dispostos a garantir a liquidez e o bom funcionamento dos mercados." Para o economista, esse recado dos BCs dá confiança aos investidores e contribui para uma correção natural dos preços dos ativos que, para ele, "era necessária". A notícia de que o banco Goldman Sachs e outras duas instituições colocarão US$ 3 bilhões em um fundo que tem registrado fortes perdas também aliviou os investidores (ler mais abaixo). As vendas no varejo dos EUA em julho também agradaram aos investidores- a alta de 0,3% superou a previsão dos analistas, de 0,2%. Ainda assim, a volatilidade continua dominando os pregões. Prova disso é que, perto do fim dos negócios, as bolsas em Nova York e também a Bovespa inverteram o sinal positivo que mantinham desde a abertura sem nenhuma justificativa aparente. O Índice Dow Jones fechou em leve queda de 0,02%. A bolsa eletrônica Nasdaq recuou 0,10%. As bolsas européias, que encerraram os negócios antes da mudança de humor nos EUA, subiram. A Bolsas de Londres teve alta de 2,99% e a de Paris, de 2,21%. A Bolsa de Tóquio avançou 0,2%. Segundo analistas, a carregada agenda de divulgação de indicadores econômicos dos EUA pode desanuviar um pouco a tensão nos mercados ao longo da semana. A atenção estará voltada, segundo Maristela, para os dados relativos à inflação - hoje sai o Índice de Preços ao Produtor e amanhã, o Índice de Preços ao Consumidor, ambos de julho.O professor da New York University Nouriel Roubini também acredita que os EUA são chave para definir a tendência dos mercados. "A economia americana ainda representa 25% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial. Então, se os EUA espirram, os outros países pegam o resfriado", disse, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. "Por exemplo, se os EUA desaceleram, a China, que vende tantos produtos para o mercado americano, desacelera também", observou Roubini. "E se um produtor como a China e um consumidor como os EUA desaceleram, isso terá um efeito negativo em todos os mercados emergentes do mundo que hoje vendem commodities para a China."Outro foco dos investidores são as notícias referentes ao setor imobiliário americano. "Eventuais informações ruins seguramente serão mal recebidas", avisa Maristela.

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