Mercados esperam Copom atentos à Argentina

Começa hoje a reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom). É forte a expectativa dos analistas de que a Selic, a taxa de juros da economia, permaneça em 19% ao ano. O Banco Central já deixou claro que o cumprimento da meta inflacionária é o principal objetivo da política monetária atual. Para este ano, a meta de inflação é de 4%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Porém, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação, já ultrapassou o limite máximo estabelecido para a meta - até novembro, o Índice acumula uma alta de 6,98%. É certo que qualquer alteração na taxa de juros hoje tem impacto maior sobre a economia depois de quatro a seis meses. Ou seja, uma redução nos juros agora não teria um impacto imediato sobre os índices de inflação. Mas, com uma meta de inflação ainda mais apertada para o próximo ano - de 3,5%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais -, os analistas acreditam que o BC vai manter o conservadorismo e optar pela manutenção dos juros. Um novo corte nas taxas, segundo eles, será promovido apenas quando a inflação estiver de fato controlada. Nesta preocupação com o cumprimento da meta de inflação, pesou a perspectiva de aumento da tarifa de energia para o próximo ano, de 30%, segundo publicado na ata da reunião do Copom realizada em novembro. Ontem, a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) divulgou sua previsão para o reajuste das tarifas de energia no próximo ano, em 19,9%, o que fica bem abaixo da previsão do Comitê. Com base nesta perspectiva, alguns analistas acreditam que o Comitê poderia antecipar o corte de juros para a reunião do Copom que começa hoje. De qualquer forma, esta aposta é minoritária entre os analistas. Situação argentina A crise argentina piora dia a dia. Segundo apurou o correspondente Vladimir Goitia, é cada vez maior a indisposição da população argentina em continuar pagando impostos devido às últimas medidas econômicas - restrições aos saques bancários - do presidente Fernando De la Rúa. A Argentina também amarga altos índices de desemprego, provocados por um extenso período de recessão que toma conta do país. Os mercados financeiros no Brasil vêm operando com tranqüilidade, apesar do agravamento da crise argentina. É certo que, em um momento de forte instabilidade no país vizinho, provocado por um eventual default - leia-se calote da dívida -, os investidores no Brasil podem demonstrar nervosismo. Mas é bom lembrar que muitos analistas já acreditam que o país está em default. Para o presidente do BC, Armínio Fraga, o movimento de queda do dólar nas últimas semanas não significa que há um descolamento entre a situação da Argentina e do Brasil. Segundo ele, houve um pessimismo exagerado quando a taxa de câmbio se aproximou do patamar de R$ 3,00, o que foi corrigido pelos investidores. Segundo reportagem publicada no jornal O Estado de São Paulo, para Fraga, "o grau de contágio (da Argentina) que vivemos em setembro foi exagerado, e o fato de ter sido revertido é muito bom, mas não creio que estejamos livres da transmissão de um choque negativo na Argentina para nós, aqui. É algo que temos de aceitar e administrar com o reforço da nossa economia", afirmou veja mais informações no link abaixo). Abertura dos mercados Às 11h18, o dólar comercial estava cotado a R$ 2,3450 na ponta de venda dos negócios, com baixa de 0,47%. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera com alta de 0,65%. No mercado de juros, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 20,328% ao ano, frente a 20,460% ao ano ontem. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado

Agencia Estado,

18 Dezembro 2001 | 11h28

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