Mercados esperam Copom com tranqüilidade

Ontem foi afastado um fator importante de oscilações nos mercados, um vencimento de contratos cambiais de cerca de US$ 1,1 bilhão. Agora, o foco dos mercados será o resultado da reunião mensal de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom) e do provável governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PL).A expectativa do mercado é que o Copom manterá a Selic, taxa básica referencial da economia, em 21% ao ano. Em reunião extraordinária, a taxa já foi elevada em três pontos porcentuais na semana passada, o que, segundo as principais projeções, deve manter a inflação dentro da meta para 2003. Mas, o que ainda preocupa os investidores é o resultado do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). O índice de outubro é o maior desde a implantação do real: 2,81%. Com isso, o governo pode ter de elevar novamente os juros, de modo a encarecer o crédito, conter as compras, e, assim, impedir a remarcação de preços. Como o IGP-M corrige vários contratos, inclusive a maioria das tarifas públicas, o seu impacto nos demais índices de inflação não é desprezível. Para essa reunião, no entanto, a expectativa é de estabilidade da Selic.A pesquisa Ibope divulgada ontem confirma a percepção do mercado, que já não considera a possibilidade de vitória de José Serra (PSDB/PMDB). O candidato do PT mantém uma vantagem de cerca de vinte pontos porcentuais dos votos válidos e é muito improvável que esses últimos dias de campanha alterem esse quadro. Agora, os investidores já centram suas atenções nas declarações de Lula e sua equipe, que, de maneira geral, vêm agradando. Os principais assessores têm insistido em independência do Banco Central, rigidez na administração das contas públicas e responsabilidade na política econômica. Mas ainda esperam-se medidas concretas, como nomes da equipe de governo, votações no Congresso até o final do ano e medidas do período de transição para que as cotações comecem a mostrar uma recuperação mais vigorosa. Os sinais dados até agora indicam que possa haver menos pessimismo depois do resultado das eleições.O Banco Central (BC) não conseguiu rolar os vencimento de contratos cambiais de hoje, que são corrigidos pela taxa média dos negócios com dólar ontem. Isso significa que os papéis serão resgatados, e ainda pode haver alguma pressão residual sobre as cotações. Mas, até o próximo lote, de cerca de US$ 2 bilhões, que vence no dia 1o de novembro, o mercado de câmbio pode apresentar maior estabilidade.MercadosO dólar comercial foi vendido a R$ 3,9100 nos últimos negócios do dia, em baixa de 0,13% em relação às últimas operações de segunda-feira. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagam taxas de 23,710% ao ano, frente a 23,800% ao ano segunda-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 2,22% em 9331 pontos. Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,03% (a 8450,2 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - caiu 1,29% (a 1292,80 pontos). O euro fechou a US$ 0,9782; uma alta de 0,41%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, fechou em baixa de 2,56% (433,68 pontos). O dólar oficial para venda fechou a $ 3,58 pesos.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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