Mercados esperam recessão mundial

Já se temia uma recessão mundial, antes mesmo dos atentados terroristas em Washington e Nova York. Prova disso são os dados divulgados essa semana de forte crescimento do desemprego nos Estados Unidos e do Índice de Confiança do Consumidor nos EUA, considerando apenas dados anteriores a 10 de setembro, com queda surpreendente. Após o choque com os ataques de terça-feira, os temores devem conter o consumo dos cidadãos, responsáveis por quase 70% dos gastos na economia norte-americana. A recessão é vista agora como o quadro mais provável, apesar dos esforços dos governos no mundo inteiro. E os investidores temem o comportamento dos mercados acionários norte-americanos na segunda-feira, quando reabrem as bolsas.Não só no Brasil o Banco Central tenta acalmar as preocupações dos mercados. Em vários países, as autoridades financeiras tomam medidas de política monetária para evitar que o pessimismo pontual faça estragos difíceis de reparar. Espera-se que o Fed - banco central dos EUA - corte novamente os juros e ontem o BC vendeu grandes quantidades de títulos cambiais e dólares depois que o comercial para venda atingiu a cotação máxima de sua história: R$ 2,7400. Mesmo assim, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 7,26%.Há mais agravantes em função da promessa de guerra. As perdas materiais decorrentes dos atentados são enormes e a instabilidade de um conflito bélico contêm ainda mais consumidores e investidores. Quanto maior, mais longa e mais próxima de áreas estratégicas, maiores serão os efeitos negativos na economia da retaliação armada norte-americana. Até agora, os preços do petróleo subiram pouco, mas a situação é instável.Outra preocupação em relação ao agravamento da recessão é a busca de aplicações mais seguras, que deve predominar a partir de agora entre os investidores. Com isso, recursos aplicados em ações devem ser desviados para outras opções, como ouro, títulos governamentais e moedas fortes, como dólar e franco suíço. Aplicações em países emergentes, especialmente Brasil e Argentina, podem acabar parecendo arriscadas demais, perdendo espaço para mercados de países centrais. Esse é um risco grande para o Brasil, mas não é só isso. A Argentina, que está numa situação muito frágil e sofre todos esses efeitos, ainda encontra mais um obstáculo: a desvalorização do real. Como o Brasil é o seu principal parceiro comercial, a forte queda do real em relação ao dólar prejudica muito a competitividade da economia. E o peso não pode ser desvalorizado, o que complica muito o ajuste. Quem esperava um ano glorioso surpreende-se com a seqüência de péssimas notícias.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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