Mercados esperam Selic inalterada

A onda otimista vivida pelos mercados ontem reverteu quatro dias de quedas na Bolsa de Valores de São Paulo e levou o dólar à cotação de fechamento mais baixa desde 29 de junho, R$ 2,3250. Mas as expectativas em relação à última reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) não se alteraram. Os investidores ainda apostam na manutenção da Selic, a taxa básica referencial da economia, nos atuais 19% ao ano. Esse pequeno surto de euforia deveu-se, em grande parte, à confirmação do saldo positivo na balança de pagamentos em US$ 2 bilhões no ano e do aquecimento surpreendente das vendas. Além disso, a inflação, que é a grande preocupação do governo do ponto de vista econômico em 2002, dá sinais de queda. Em função disso, os investidores já reviram suas projeções de queda da Selic, apostando numa pressão menor nos índices, o que permite redução mais acelerada, ainda que lenta. Dois fatores contribuem para a pequena melhora nas expectativas quanto à inflação. Por um lado, a Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGE) reduziu a previsão de aumento nas tarifas em 2002 de um intervalo entre 26% a 30% para 19,9%. Outro bom sinal é que alguns indicadores já mostram forte tendência de queda da inflação. É o caso da segunda prévia de dezembro do Índice de Preços ao Atacado (IPA), cujo resultado foi deflação de 0,02%. Como o IPA mede os preços do produtor para o comerciante, normalmente antecipa a tendência dos índices de preços ao consumidor. Mas ainda restam muitas dúvidas sobre a retomada do crescimento econômico dos Estados Unidos, que deve sustentar a recuperação da economia mundial. E, para o Brasil, como advertiu o próprio presidente do Banco Central na segunda-feira, não se pode esquecer a Argentina. Se as previsões de um colapso financeiro se confirmarem, os mercados aqui podem sentir alguns efeitos, ainda que pontuais. O país sofre com saques a supermercados, medidas restritivas aos saques bancários e transferências internacionais, e haverá uma greve geral de 48 horas a partir da meia-noite de amanhã. A tensão é muito grande, a crise política é grave e muitos apostam que o desastre financeiro virá no dia 28, quando vencem obrigações do governo, que não tem recursos nem crédito disponível para honrá-los. A previsão majoritária é que haverá calote da dívida, desvalorização e dolarização. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

19 Dezembro 2001 | 07h34

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