Mercados estão mais tensos a cada dia

Ontem os mercados tiveram um dia extremamente tenso, com destaque para o câmbio. O dólar chegou a ser negociado a R$ 2,1050 e o Banco Central interveio mais de uma vez para segurar a alta. Não funcionou. A moeda norte-americana voltou a subir, fechando em R$ 2,0980. O pior é que o governo deixou claro o que considera o limite das cotações da moeda, abrindo espaço para especulações de agora em diante. A razão para a intervenção é que um dólar acima de R$ 2,10 compromete as metas para o ano de 2001. As apreensões também contaminaram os juros, que passaram a refletir uma alta da Selic, a taxa básica referencial da economia, que segue em tendência de queda desde janeiro de 1999, quando houve a desvalorização do real e foi adotado o regime de flutuação do câmbio.O nervosismo está centrado nas preocupações com o cenário externo, principalmente com a Argentina. Ontem circularam boatos de que o ministro da Economia, Ricardo López Murphy, renunciaria ao cargo frente às possíveis dificuldades que enfrentaria para implementar um novo pacote de ajuste orçamentário. Segundo apurou o jornalista Renato Martins, os próprios investidores argentinos ignoraram os rumores, mas a especulação é fruto do nervosismo em relação às medidas e sua capacidade de aprová-las. O pacote deve ser anunciado hoje após o fechamento dos negócios.País pagará caro pelo acidente na plataforma da PetrobrásOutra péssima notícia foi o acidente com a plataforma P36 da Petrobrás, que derrubou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A plataforma responde por 7%da produção da empresa, cujas ações correspondem a 11% do Índice da Bolsa, o Ibovespa. Além disso, o Brasil terá de aumentar suas importações de petróleo enquanto a produção da P36 não for retomada ou substituída. Em função desse aumento e do alto preço do dólar, o mais provável é que os combustíveis não sofram redução de preço em abril, conforme previsto. Analistas estimam a diferença em US$ 360 milhões no cenário mais otimista, ou seja, com a retomada da produção em 6 meses. Portanto, o efeito do acidente deverá ser sentido tanto nos números da balança comercial, como nos índices de inflação.O cenário externo é instávelAlém desses, os demais fatores de inquietação continuam preocupando os mercados. A desaceleração da economia norte-americana afetou severamente os resultados das empresas, o que derrubou as cotações das ações nas bolsas. Hoje o Departamento do Trabalho dos EUA anuncia às 10h30 (horário de Brasília) o Índice de Preços ao Produtor (PPI) referente ao mês de fevereiro. O número é aguardado como mais um indicativo do ritmo de crescimento da economia norte-americana. Em janeiro, a alta foi 1,1%, o que provocou uma reação negativa nos mercados. A previsão para o índice de fevereiro é de uma alta de 0,1%.As dificuldades do sistema bancário japonês também preocupam, já que o país é um dos principais exportadores de capitais do mundo. Outro foco de atenção é o início da reunião dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que começa hoje em Viena. E, por fim, mas não menos alarmante, a crise política no Brasil está longe de uma solução.

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