Mercados estarão atentos ao swap argentino

Hoje é o último dia para os detentores de títulos de curto prazo da dívida externa argentina registrarem suas ofertas para trocá-los por papéis novos, com vencimento a partir de 2006. O swap (troca) deve aliviar as contas públicas nos próximos anos, possibilitando uma retomada econômica. Os detalhes - valor total e taxas de juros, entre outros - serão divulgados na segunda-feira, e o governo espera que o alívio fiscal nos próximos anos dê a trégua necessária para que a economia saia da depressão. Mas ainda resta saber qual será o custo da operação, e mesmo que ela tenha sucesso, a reação da economia não depende só da reestruturação da dívida. Inicialmente os investidores reagiram bem ao anúncio da troca de títulos, mas reconhecem que os desafios não são pequenos. As metas acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) são ambiciosas e o peso fixo em relação ao dólar e sobrevalorizado prejudica a competitividade dos produtos argentinos, e, portanto, a recuperação do crescimento. As constantes desvalorizações que o real vem sofrendo no regime brasileiro de câmbio flutuante pioram ainda mais a situação, já que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. O governo alega que a economia já dá sinais de reação e a arrecadação de impostos está crescendo. Na verdade, depois que os brasileiros descobriram a crise energética, as dificuldades do país vizinho deixaram de ser a maior preocupação dos mercados. Mesmo assim, um colapso econômico argentino, possibilidade que o swap bem-sucedido afasta no curto prazo, teria conseqüências imediatas para o Brasil. Nesse caso, o fluxo de capitais estrangeiros para o mercado financeiro nacional diminui e os investidores procuram aplicações de menor risco, como o dólar, para proteger seus recursos.Para os mercados brasileiros, a preocupação maior é a falta de energia elétrica. As projeções de crescimento da economia estão sendo revistas e os impactos negativos são certos. O único problema é que ainda é cedo para avaliar o tamanho da crise e suas conseqüências exatas, já que o programa de racionamento ainda nem foi implementado. O governo já considera a possibilidade de que nem haja apagões caso o plano de contenção de consumo funcione. Porém, enquanto perduram as indefinições, surge espaço para a boataria e especulações. Ontem o dólar comercial voltou a registrar novo recorde, sendo negociado a R$ 2,3750 para venda. As fortes intervenções do Banco Central no final da semana passada acabaram reforçando as oscilações da moeda norte-americana, pois muitos investidores especulam na expectativa de uma ação do BC.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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