Mercados estimulados pela nova Selic

Alguns analistas criticaram a ousadia do Conselho de Política Monetária (Copom), que reduziu ontem a taxa de juros básicos Selic de 18,5% para 17,5% ao ano com viés de baixa - autorização prévia para o presidente do Banco Central reduzir a taxa ainda mais quando julgar necessário. Outros, porém, ponderaram que a inesperada redução da Selic foi um risco calculado, dadas as análises do governo em relação às decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e ao FED - banco central norte-americano.Na verdade, essa última parece ter sido a opinião que prevaleceu, pois o mercado recebeu bem a decisão do Copom, confiando que a nova Selic é realista, e as taxas de juros futuras projetadas caíram hoje. A taxa de juros para contratos com base em operações de swap de 252 dias fechou hoje em 18,47% ao ano frente a 19,45% ao ano ontem. Bolsa sobe em função da queda nos juros A queda da Selic para 17,5% ao ano foi um presente para os operadores do mercado acionário. Juros mais baixos desestimulam o investimento em renda fixa, e, portanto, há uma pequena migração para as bolsas. Ao mesmo tempo, aumentam as expectativas de lucros das empresas, pois elas conseguem crédito mais barato para seus investimentos, enquanto seus clientes também têm financiamentos mais baratos, o que estimula o consumo. Com isso, valorizam-se as ações.Nesse contexto, a Bovespa fechou em alta de 2,44%, com o volume financeiro de R$ 1,3 bilhão, um dos melhores do ano. Também as bolsas norte-americanas ajudaram. A Nasdaq - bolsa eletrônica que negocia empresas de tecnologia e informática - subiu 1,26%. O índice Dow Jones - das ações mais negociadas na bolsa de Nova Iorque - ganhou 0,60%.A Telesp, uma das poucas ações a cair, foi diretamente influenciada pelo comportamento dos papéis da Telefónica, que caiu 4,36% na Bolsa de Madri, por causa das acusações de que o presidente da empresa, Juan Villalonga, teria se beneficiado de informações privilegiadas. Juros mais baixos desanimam investidor estrangeiro e dólar sobe Com a redução da Selic, a cotação do dólar fechou com alta de 0,61%, em R$ 1,8120. De acordo com operadores, ainda é cedo para avaliar a tendência do dólar como resultado da decisão da Copom. O comportamento do mercado de câmbio hoje teria recebido maior influência da saída de dólares. Por outro lado, a queda dos juros favorece uma retomada mais forte no crescimento da economia brasileira, que também se torna mais competitiva com a redução dos custos dos investimentos. Por isso, nos próximos dias, é possível que se verifique uma queda da moeda norte-americana. É importante lembrar que o comportamento do dólar depende de muitas variáveis, incluindo fluxo de investimentos para o Brasil, preço dos produtos importados e exportados, oferta de crédito para empresas brasileiras e outros, de forma que ainda é cedo para saber como o dólar poderá se comportar nos próximos meses. Petróleo O petróleo ainda pode ser a principal incógnita para o mercado. Hoje, a Opep divulgou a decisão de elevar a produção em 708 mil barris/dia, considerada insuficiente para fazer baixar o preço do produto além de US$ 30 por barril. O Brasil importa 25% do petróleo que consome, o que representa, hoje, US$ 450 milhões por mês nas importações. Uma baixa nos preços do petróleo diminuiria a pressão de alta do dólar e de alta dos preços. Leia-se: menor pressão sobre a inflação.

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