Mercados eufóricos com medidas do governo

As medidas de contenção da desvalorização cambial adotadas pelo governo federal entre ontem e hoje deram novo fôlego aos mercados. Apesar das recuperações, as cotações ainda estão longe dos níveis anteriores aos ataques terroristas aos Estados Unidos. As incertezas do cenário internacional continuam determinando cautela, mas a equipe econômica tenta conter o pânico.À tarde, o governo anunciou que as empresas de capital aberto poderão diferir o efeito da alta do dólar nos resultados financeiros de 2001 nos próximos quatro anos. Isso significa que o governo vai aceitar que essas perdas sejam lançadas ao longo dos anos seguintes, reduzindo contabilmente o seu lucro futuro, e, portanto, o imposto de renda que essas empresas venham a pagar. A medida reverteu as quedas na Bolsa de Valores de São Paulo e estimulou recuperação dos demais mercados.O governo já havia anunciado que as instituições financeiras devem aumentar seu capital a cada aumento nos seus estoques de moeda estrangeira. Essa medida encarece para os bancos a captação de dólares, e esse custo deve ser repassado às empresas com obrigações no exterior que desejam comprar divisas para se prevenir contra desvalorização cambial. Ao tomar essa atitude preventiva, essas empresas pressionam ainda mais o câmbio. A equipe econômica espera que custos maiores desestimulem essas ações de hedge (proteção).Além disso, o Banco Central definiu o aumento da parcela a ser depositada pelas instituições financeiras relativa à parcela compulsória dos depósitos à vista. Isso significa que quando o cliente realiza um depósito, 45% desse valor não pode ser utilizado, ficando como reserva. Antes, as instituições tinham maior margem de manobra sobre esses recursos, dados os prazos e regulamentações desse repasse para o Banco Central. A reserva imediata era de 60%, que depois era completada. Agora, é necessário reservar imediatamente 80%. Assim, há um enxugamento de dinheiro no mercado, diminuindo a oferta de recursos para o crédito, com efeito de desaceleração da economia e encarecimento do crédito.Cautela ainda predominaAinda assim, a cautela no médio e longo prazo predomina. Agências de classificação de risco e o fundo Monetário Internacional (FMI) observam com atenção a evolução das contas externas de alguns países emergentes, como Turquia, Argentina e Brasil, que já apresentavam dificuldades e tiveram sua situação agravada com a perspectiva de recessão nos EUA e guerra. Aliás, dados divulgados hoje nos Estados Unidos mostram que o país já caminhava para uma recessão antes mesmo dos ataques terroristas. Agora, as perspectivas ficaram muito mais pessimistas.A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) confirmou as expectativas do mercado, não alterando os atuais níveis de produção de seus países membros. Frente à forte desaceleração mundial, a demanda pelo produto caiu, derrubando os preços, e analistas duvidam que o cartel consiga manter os preços dentro da meta média de US$ 25 por barril. Em Londres, os contratos de petróleo cru do tipo Brent com vencimento em novembro foram negociados US$ 22,79 por barril, uma queda de 0,21% em relação ao fechamento de ontem.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,6750, com queda de 2,30%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 24,030% ao ano, frente a 24,700% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,99%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 1,61%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,33%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 0,23%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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