Mercados eufóricos ontem apesar do ceticismo

Os mercados financeiros ontem tiveram um dia de euforia, com fortes recuperações nas cotações. Os movimentos foram motivados pela divulgação de resultados favoráveis de duas grandes empresas norte-americanas, que impulsionaram as bolsas em Nova York. Como as notícias da Argentina também foram tranqüilizadoras, com a possibilidade de um empréstimo junto a instituições estrangeiras suficientes para cobrir as contas do governo nesse semestre, os mercados brasileiros tiveram um alívio. Soma-se a isso tudo a venda de dólares pelo Santander, que pretende comprar ações do Banespa em oferta pública.Porém, o pessimismo dos últimos meses tem afetado tanto as cotações, que mesmo altas como a da Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, que fechou com valorização de 8,92% são ofuscadas pela forte e contínua tendência de queda, que se agravou ainda mais no final de janeiro. Como os mercados operam em níveis muito baixos, as movimentações de ontem não chegam nem perto de recuperar terreno.Além disso, ninguém aposta numa continuação da tendência. A perspectiva de recuperação dos principais elementos de instabilidade é de longo prazo e os riscos envolvidos ainda são grandes. A desaceleração norte-americana só deve ser revertida no segundo semestre e ainda existe a possibilidade de uma recessão em lugar de uma retomada. Na Argentina, a situação ainda é mais grave. A economia está em recessão há 33 meses e o governo nem cogita mais conseguir cumprir as metas do país com o Fundo Monetário Internacional (FMI).Hoje, nos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho divulga os dados do desemprego referente a março. A previsão média de 17 economistas ouvidos em pesquisa Dow Jones é que a taxa de desemprego tenha crescido para 4,3%. O mercado financeiro aguarda mais esse número como um sinal do ritmo do desaquecimento econômico dos Estados Unidos. Além disso, as empresas nos Estados Unidos continuam divulgando seus resultados na virada do trimestre e as oscilações nos mercados já são esperadas. A tendência é que os resultados decepcionem os investidores, já que a economia está em desaceleração, provocando pessimismo. Mas, pode ser que se tenha chegado ao fundo do poço. O certo no mercado no momento, é o ceticismo; não se espera uma recuperação sustentada das cotações no curto prazo.

Agencia Estado,

06 de abril de 2001 | 07h55

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