Mercados exageram riscos de vitória de Lula, diz Merril Lynch

Analistas da Merrill Lynch afirmaram hoje, em relatório distribuído aos seus clientes, que os mercados estão exagerando os riscos de uma vitória de um candidato da oposição nas eleições em outubro no Brasil. "A liderança nas pesquisas eleitorais de Lula caiu de uma diferença de 20% para 9% e sua popularidade não está maior do que nas três eleições presidenciais anteriores", ressaltam o estrategista de ações para mercados emergentes, Ed Butchart, e o estrategista para América Latina, Robert Berges. Para eles, o mercado irá "internalizar a tendência positiva" nas próximas três semanas e o risco País deverá cair. A Merrill Lynch está mantendo a recomendação "overweight" (acima da média do mercado) para as ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tanto na sua carteira para América Latina quanto na sua carteira global de ações para mercados emergentes. Os analistas estão confiantes que os países do G-7 e as agências multilaterais vão continuar dando apoio para o Brasil. "Acreditamos que a extensão do atual programa do FMI para além deste ano é uma clara possibilidade para ocorrer nos próximos meses", afirmam Butchart e Berges. Para eles, como aconteceu na Coréia, uma extensão do acordo do FMI exigiria um compromisso dos candidatos às eleições presidenciais. "Mas as recentes declarações mostram que isso é possível", observam. Os analistas também consideram que os fundamentos econômicos ainda estão sólidos e com tendências positivas de vários indicadores que dão sustentação a uma direção estável da dívida. "A elevação da relação dívida/PIB para 56% explica-se quase que exclusivamente pela desvalorização forte da moeda depois da flutuação do câmbio. Não esperamos pressões adicionais no médio prazo nesse sentido", afirmaram.

Agencia Estado,

15 de julho de 2002 | 10h26

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