Mercados fazem pausa cautelosa

Após dias de desespero com a situação argentina e a grave crise política em Brasília, os mercados ontem apresentaram movimentos menos abruptos e até algumas pequenas correções em algumas cotações, mas nada que se possa considerar como reversão do pessimismo. A cautela extrema com a instabilidade do cenário continua predominando. A percepção é que tanto a economia da Argentina quanto a situação no Planalto estão em momentos críticos, com a chance rara de reversão ou colapso.Na Argentina, a expectativa que se formou é que o governo renegocie sua dívida externa de curto prazo com desconto, o que os bancos aceitariam para preservar a capacidade de pagamento, que virtualmente desapareceria no caso de um desastre econômico. Paralelamente, haveria a concessão de créditos emergenciais encabeçados pelos Estados Unidos e Espanha e possivelmente coordenados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em Buenos Aires, o ministro da Economia, Domigo Cavallo, nega veemente esse plano, o que deixa os mercados muito apreensivos. Os investidores esperam que o silêncio seja apenas estratégico. Dadas as declarações positivas do FMI e do presidente dos EUA, se o governo não fizer nada, o mercado pode se desesperar e provocar um agravamento da crise. Enquanto nada acontece, foi bem recebida a substituição do presidente do Banco Central, Pedro Pou, envolvido em denúncias de corrupção e disputas com Cavallo. O novo titular é Roque Maccarone.O Fundo e os governos estrangeiros já deixaram claro que os empréstimos estariam condicionados a medidas de efeito concreto para a solução da grave crise econômica por qual o país passa. O difícil é imaginar uma solução que não contemple a questão da desvalorização cambial. Com o peso sobrevalorizado, as mercadorias argentinas não são competitivas e a economia não consegue sair da recessão, que já dura 34 meses. Além do obstáculo legal à quebra da paridade com o dólar, governo e empresas estão muito endividados em dólar, e se a sua cotação subir, elevam-se os débitos, o que pode ter conseqüências desastrosas. Mas com os recursos internacionais, o governo teria tempo e meios para administrar a situação, minimizando seus impactos negativos e evitando o pânico. Crise do Senado está em momento críticoUm acordo parece estar no ar. Ao governo federal não interessa a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo. Igualmente, a guerra travada há meses entre os Senadores Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães já os deixou muito abalados frente à opinião pública, ameaçando a estabilidade do governo.Jader está envolvido em denúncias de desvio de verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e ACM deporá na quinta-feira sobre o escândalo de violação do painel do Senado quando era presidente da casa, para conhecer o resultado da votação secreta de cassação do ex-Senador Luis Estêvão. Não parece plausível que ambos queiram prosseguir até as últimas conseqüências. A renúncia da liderança do governo e saída do PSDB parece ter sido a punição do outro envolvido, o Senador José Roberto Arruda, que confessou a violação, pediu perdão às lágrimas e acusou ACM de ser o mandante da operação. O depoimento foi bem aceito pelos investidores. Na quinta-feira, com o depoimento do Senador baiano, será possível perceber se uma solução para toda a crise no Planalto está arquitetada ou se o fim do escândalo será imprevisível. Os mercados estarão atentos.Veja no link abaixo a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

25 de abril de 2001 | 08h09

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