Mercados: foco de atenções continua na política

Uma onda de rumores sobre o encaminhamento das eleições presidenciais nos últimos dias provocou estragos nos mercados. A taxa de risco-país do Brasil subiu com força e ontem chegou ao patamar de 978 pontos base. Os títulos brasileiros negociados no exterior, que em meados de março valiam 83,000 centavos por dólar, ontem chegaram a 73,688 centavos por dólar - uma queda de 12,63%.No mercado interno, o dólar comercial acumula uma alta de 6,73% em maio, até ontem. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que ontem chegou a ficar abaixo dos 12 mil pontos durante o dia, registra uma baixa de 8,28% no mesmo período. No mercado de juros, as taxas estão em alta, apesar dos números mais baixos de inflação, o que evidencia a preocupação dos investidores.Este cenário pessimista não deve parar por aí. Nesta semana, os resultados de novas pesquisas eleitorais serão anunciados. Enquanto isso, os boatos poderão influenciar novamente o humor dos investidores. O fato é que os analistas já esperavam por um período de turbulências com a proximidade das eleições presidenciais, mas este comportamento dos negócios agravou-se muito rapidamente e, pode-se dizer, de forma antecipada.Segundo relatório do Lloyds TSB divulgado ontem, esta ansiedade dos investidores, que está ocorrendo antes do que se imaginava, já produziu reflexos sobre o setor econômico. Um exemplo: a alta da taxa de câmbio, se continuada, ao aumentar os riscos de inflação pode dificultar a adoção de uma queda mais forte dos juros ao longo dos próximos meses.Investimentos exigem cautelaAs incertezas no cenário político começaram com o rompimento do PSDB e PFL, partidos da base governista, depois das suspeitas em relação à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney. Esta crise entre os partidos, atrasou a votação da emenda que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o que vai gerar uma forte queda na arrecadação da Receita Federal, estimada em R$ 400 milhões semanais a partir do dia 17 de junho. Mais recentemente, denúncias a respeito da possibilidade de pagamento de propina ao ex-diretor do Banco do Brasil (BB), Ricardo Sérgio de Oliveira, azedaram de vez o humor dos investidores. Oliveira foi tesoureiro da campanha do pré-candidato do PSDB, José Serra, ao Senado em 1994. É importante lembrar que, durante este período de agravamento da crise política, uma série de relatórios de bancos estrangeiros recomendaram a seus clientes reduzir os investimentos no Brasil, o que piorou o clima nos mercados. É, portanto, um período em que o investidor deve redobrar a cautela. Até as eleições presidenciais, é preciso que ele esteja preparado para mais oscilações. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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