coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Mercados: há incertezas e cautela permanece

O Banco Central (BC) anunciou ontem algumas medidas que poderão trazer maior liquidez para o mercado cambial. São elas: o saque de US$ 10 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a redução do piso mínimo para as reservas internacionais de US$ 20 bilhões para US$ 15 bilhões. Analistas ouvidos pela Agência Estado consideram que tais mudanças podem, de fato, reduzir a pressão sobre a moeda norte-americana nesse momento, mas destacam que não trazem alívio para a forte preocupação em relação à administração da dívida do País.Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no início dessa semana, o economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas, já fazia o alerta: "O Banco Central não tem total controle da situação, pois o que vale são as expectativas". Segundo ele, as expectativas negativas que vêm resultando em forte nervosismo por parte dos investidores nos últimos dias decorrem da associação de dois fatores. O risco político, que é provocado pelas incertezas em relação à transição de governo, e a frágil situação das contas públicas do País, explicada pelo elevado grau de endividamento. Hoje, a relação entre a dívida do Brasil e o Produto Interno Bruto (PIB) é de 56%, sendo que grande parte dela está atrelada ao dólar e às taxas de juros. Cada vez que esses ativos sobem, também a dívida brasileira fica maior e aumenta o temor por parte dos investidores de que o governo brasileiro não conseguirá honrar seus compromissos.O resultado é que o risco dos títulos públicos aumenta e o governo precisa elevar suas taxas para captar dólares. A diferença entre a taxa de juros paga pelo governo brasileiro e a taxa do governo norte-americano amplia-se e a taxa de risco-país fica maior. Nessa semana o risco-país do Brasil chegou a 1.300 pontos base. Isso significa que os títulos da dívida brasileira pagaram 13 pontos porcentuais acima dos juros norte-americanos. Ao atingir esse patamar, o Brasil ficou em terceiro lugar no ranking das taxas de risco mais elevadas, perdendo apenas para Argentina e Nigéria. Ontem, a taxa recuou um pouco e fechou em 1.240 pontos base.O problema é que, sem fatores positivos que diminuam a desconfiança dos investidores, esse movimento transforma-se em um círculo vicioso. Isso porque, com uma taxa de risco mais elevada, os juros no mercado interno permanecem em patamar elevado ou podem subir ainda mais, elevando a dívida do País e impactando novamente no risco brasileiro. Veja nos links abaixo o comportamento dos mercados ontem e não deixe de ver as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.