Mercados inseguros com política e economia

As incertezas que dominam o cenário político no Brasil e as conseqüências disso para os rumos da economia vêm deixando os investidores cada vez mais pessimistas. O reflexo disso já é percebido nos números no mercado financeiro e este cenário pode ter efeitos sobre a economia do País. Com o fechamento desta quinta-feira, o dólar comercial acumula uma queda de 4,70% em maio e de 6,78% no ano. Para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a baixa é de 7,52% no mês e de 10,87% no acumulado de 2002. No mercado internacional, os investidores têm exigido juros cada vez mais elevados para a negociação com papéis da dívida brasileira. Isso porque, com o aumento das incertezas no cenário político interno, o investidor estrangeiro reavalia o risco de se investir em títulos brasileiros. Se ele acredita que este risco é maior, ele pede juros mais altos. Com isso, a taxa de risco-país aumenta, pois este índice mede a diferença entre os juros pagos pelo governo brasileiro e os juros pagos pelo governo norte-americano no mercado internacional.Ontem, os principais títulos da divida brasileira, os C-Bonds, eram negociados a 74,938 centavos por dólar. Para se ter uma idéia, em meados de março, eram vendidos a 83,000 centavos por dólar. Já a taxa de risco-país chegou a 950 pontos-base. Este é patamar mais elevado no ano. Veja os números de fechamento dos mercados ontem no link abaixo.Com o aumento da taxa de risco-país, as empresas brasileiras também precisam pagar juros mais altos para colocar seus títulos no exterior. São conseqüências deste cenário: um enfraquecimento ainda maior da atividade econômica, já que o custo das empresas com o pagamento de juros aumenta; e uma tendência à pressão de alta sobre as cotações do dólar, pois o fluxo de recursos para o mercado interno tende a diminuir. Leia mais sobre o crescimento da taxa de risco do Brasil no link abaixo.Decisão do STF pode piorar humor dos investidoresOntem, após o fechamento dos mercados, o jornalista Nelson Breve apurou que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu três dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal, justificando que são inconstitucionais. Um deles altera o que internacionalmente é reconhecido como a regra de ouro da Lei: o que impedia a contratação de crédito em valor superior ao das despesas de capital, definidas como os gastos com investimento, amortização e inversões financeiras - casos de aporte do Tesouro em empresas ou instituições financeiras. (Veja mais informações no link abaixo).Segundo informou a jornalista Liliana Lavoratti, a Constituição brasileira já prevê este tipo de controle na contratação de operação de crédito, mas seu dispositivo não imprimia o rigor definido na Lei Fiscal. Isto porque, na Constituição, a contenção do endividamento poderia ser suspensa, após autorização legislativa. A Lei Fiscal, da forma como estava redigida, pretendia exatamente quebrar esta flexibilidade. Ou seja, com a decisão do STF, abre-se a possibilidade de aumento dos gastos por parte da União, Estados e municípios, o que não deve ser bem recebido pelos investidores.IBGE divulga IPCA de abrilLogo mais será divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse índice é usado como referência para a meta de inflação, que neste ano é de 3,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. A inflação preocupa pois a definição da política monetária tem por objetivo o cumprimento da meta de inflação.O Comitê de Política Monetária (Copom) vai reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, nos dias 21 e 22 de maio. A Selic está em 18,5% ao mês e ainda não há um consenso entre os analistas sobre qual será a decisão do Comitê.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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