Mercados: instabilidade faz dólar disparar

Ontem o dólar atingiu uma das cotações mais altas desde a criação do real, fechando a R$ 2,0410. Essa foi a cotação mais alta desde 4 de março de 1999. E está próxima do recorde desde a criação do real, de 2 de março de 1999, quando a moeda norte-americana foi negociada na máxima de R$ 2,23 e fechou a R$ 2,17.O principal motivo para a forte alta do dólar foi a divulgação nessa semana dos índices de inflação de janeiro nos Estados Unidos, que ficaram muito acima do esperado. Com isso, ficaram frustradas as expectativas de continuidade à política de cortes agressivos nos juros básicos dos Estados Unidos. Também aumentaram as preocupações quanto a uma possível - embora ainda improvável - recessão na maior economia do mundo.Além disso, outros fatos de importância mais pontual contribuíram para a alta. Foi suspensa judicialmente a venda da Caixa Seguros para um grupo francês, operação que traria cerca de US$ 500 milhões para o mercado. E na Argentina e Turquia, países emergentes com dificuldades financeiras há meses, a situação voltou a piorar. Mas o motivo principal é mesmo o comportamento da economia dos Estados Unidos. E a paralisação dos mercados brasileiros nos próximos dias por conta do carnaval preocupa o investidor, pois a instabilidade externa é grande e muita coisa pode acontecer nos próximos dias sem que o aplicador brasileiro possa reagir. Nesse cenário, muitas empresas compraram dólares como proteção. Uma resposta para as dúvidas sobre a economia norte-americana ainda deve demorar, pois os números ainda não indicam nenhuma tendência clara, nem de recessão nem de recuperação. E enquanto as incertezas perdurarem, os mercados ficarão reféns da instabilidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.