Mercados: instabilidade leva dólar a R$ 2,20

Se a instabilidade econômica da Argentina abalou os mercados ontem, hoje a situação foi agravada por notícias de Brasília. Como amanhã será definido o novo patamar da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia -, os investidores estão muito nervosos. Com isso, as oscilações das cotações foram grandes, e o dólar, após atingir a alta histórica de R$ 2,2010 à tarde, recuou, ficando em R$ 2,1970, com alta de 0,05% em relação ao fechamento de ontem. Ainda assim, o valor de fechamento de hoje é o mais alto da história do real.Duas notícias pioraram os humores já azedos dos investidores. O pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de corrupção no Executivo federal recebeu as duas últimas assinaturas necessárias para a sua aprovação, somando 27, de senadores do PMDB. Além disso, laudo da Universidade de Campinas (Unicamp) comprovou que o painel de votação do Senado Federal foi violado, permitindo que funcionários tivessem conhecimento dos votos de cada senador na sessão de cassação do ex-Senador Luís Estêvão. Dois funcionários confessaram o fato, mas o então presidente da casa, Senador Antônio Carlos Magalhães, nega qualquer envolvimento. Se a CPI preocupa porque pode desestabilizar o governo e por desviar os congressistas das reformas constitucionais nesse último ano de governabilidade - 2002 é ano eleitoral -, a violação do painel de votação é mais um capítulo da guerra entre os Senadores Jader Barbalho e ACM. A crise nas altas esferas do governo federal e dentro da base aliada também preocupa o mercado.Argentina abala os mercadosO anúncio de que será criada uma cesta de moedas para definir a variação cambial do peso argentino, composta em 50% pelo dólar e 50% pelo euro, não convenceu os investidores. A medida só terá efeito quando o euro atingir a marca de US$ 1, o que não se espera que venha a ocorrer antes de 2003. Mesmo assim, não deverá ter muito resultado no nó principal da economia, que é a sobrevalorização do câmbio, que prejudica a competitividade dos produtos argentinos e prolonga a recessão, que já dura 33 meses. A lei e a sociedade não aceitam o fim da paridade atual com o dólar e a maior parte das obrigações externas do país está denominada na moeda norte-americana. Com isso, haveria uma quebradeira generalizada, incluindo sério descontrole das contas públicas se o peso for desvalorizado. De qualquer modo, o mercado reage à inclusão do euro na com muita preocupação, pois avalia que os problemas reais não estão sendo atacados e só resta ao governo manobrar a situação politicamente.Mercado espera alta da Selic amanhãFrente à alta dos preços, provocada pelos elevados patamares de negociação do dólar, e das expectativas de que a inflação continue subindo, a maioria dos analistas espera uma elevação de meio ponto porcentual da Selic, atualmente em 15,75% ao ano, como resultado da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom) que se encerra amanhã. A instabilidade argentina, a continuada desaceleração da economia norte-americana e a reação muito nervosa dos mercados confirmam essas expectativas. Muitos, porém, admitem a possibilidade de uma decisão estratégica para controlar a tensão dos investidores, com uma alta menor do que o previsto ou até da manutenção da taxa no atual patamar. O resultado será divulgado amanhã após o fechamento dos mercados.Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,880% ao ano, frente a 21,400% ao ano ontem, corrigindo um pouco as fortes altas dos últimos dias, em especial de ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,75% Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,57%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 0,71%. Veja no link abaixo a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

17 de abril de 2001 | 17h53

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