Mercados: instabilidade pode aumentar

A instabilidade e as oscilações no mercado financeiro brasileiro podem se acentuar na abertura dos negócios nesta segunda-feira. Depois do ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão, crescem as incertezas em relação às proporções e à duração dos conflitos. Depois dos ataques aéreos, que devem continuar ainda por alguns dias, espera-se a entrada de tropas no território afegão.Os Estados Unidos têm o apoio de muitos países e seu principal aliado é a Inglaterra, cujas forças militares também foram usadas nos ataques ao Afeganistão ontem. Entre os países árabes, apenas o Iraque condenou os bombardeios e, nesta manhã, o ministro da Defesa da França, Alain Richard, disse que está discutindo com os EUA como as forças francesas podem participar do ataque contra o Afeganistão e a rede de terroristas de Osama bin Laden.Se por um lado os Estados Unidos contam hoje com o apoio de muitas forças internacionais, também esperam por novos ataques terroristas ao seu território como forma de retaliação aos ataques realizados ontem. Uma pesquisa realizada pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal revelou que 91% dos entrevistados norte-americanos dão como certa esta possibilidade.Para os investidores, uma das principais preocupações é o impacto destes conflitos na economia mundial e, principalmente, na atividade econômica dos Estados Unidos, que já vinha em desaquecimento antes dos ataques terroristas em 11 de setembro. O agravamento dos conflitos pode diminuir ainda mais a confiança dos consumidores norte-americanos, que também foi abalada depois dos ataques. Vale destacar que o consumo nos Estados Unidos é responsável por dois terços da economia do país. Sem uma reação por parte dos consumidores será muito difícil que a economia volte a crescer. Neste sentido, os números do mercado de trabalho são um importante sinalizador desta tendência. Nesta semana, na quinta-feira, saem novos números sobre o mercado de trabalho e os mercados podem reagir, caso venham negativos.Mercados asiáticos em quedaO temor de que os ataques tenham impacto sobre o ritmo da atividade econômica mundial provocou uma queda generalizada na bolsas asiáticas nesta segunda-feira, segundo apurou a repórter Priscila Arone. O mercado teme também a alta do preço do petróleo. Na Coréia, a queda foi de 1,15%. Em Taiwan, a baixa foi de 1,82%. Não houve negociações hoje em Tóquio por causa do feriado nacional. No intervalo dos negócios, as demais bolsas do sudeste asiático registravam: Hong Kong, queda de 2,73%; Indonésia, queda de 3,72%; Malásia, queda de 1,41%; Tailândia, queda de 1,59% e Cingapura, baixa de 1,90%. Mercados no BrasilA expectativa é de que os mercados no Brasil comecem o dia com forte instabilidade, em função das incertezas internacionais. Com o aumento das incertezas, os investidores tendem a aumentar a demanda por dólares como forma de segurança (hedge). Também o preço das ações podem cair ainda mais. Com o aumento do risco, os investidores se desfazem de ativos de risco em busca de aplicações seguras (veja mais informações no link abaixo).Hoje as bolsas em Nova York funcionam normalmente, apesar do feriado do Dia de Colombo. Na Argentina - outra fonte de incertezas para o mercado interno - os negócios estarão paralisados hoje em função do feriado. Segundo apurou a correspondente Marina Guimarães, a Argentina deve anunciar um novo pacote de medidas amanhã, após o encontro entre o presidente Fernando De la Rúa e o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília.De qualquer forma, a expectativa dos analistas é de que a confiança dos investidores em relação ao país vizinho continue muito baixa. Em números, isso pode ser visto pela escalada da taxa de risco país que, na semana passada, bateu recordes por dias consecutivos, chegando ao patamar máximo de 1.923 pontos base nesta sexta-feira. Para se ter uma idéia, há um ano, quando o vice-presidente Carlos Chacho Álvarez renunciou, o risco país estava em 658 pontos base.InvestimentosO clima de muitas incertezas deve estimular o investidor a optar por aplicações mais seguras, como os fundos referenciados DI - que acompanham as taxas de juros. As aplicações de maior risco, como o mercado de ações, devem ser escolhidas apenas por quem tem disponibilidade de tempo, ou seja, até que se obtenha o ganho pretendido.Os investimentos em dólar são recomendados apenas por quem tem dívidas em moeda norte-americana. As cotações têm oscilado muito e o Banco Central tem atuado de maneira agressiva para conter a escalada do dólar, vendendo títulos cambiais e, até mesmo, dólares aos investidores em momentos de alta maior. Neste caso, corre-se o risco de aplicar em um momento de alta e precisar dos recursos quando as cotações estiverem em baixa.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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