Mercados instáveis: hoje euforia

Hoje foi um dia de euforia nos mercados no mundo todo, em reação às fortes perdas de ontem. Naturalmente, seguindo a lógica das últimas semanas, as tendências das cotações seguiram o passo ditado pelo petróleo. Hoje, a queda foi significativa, o que impulsionou os demais mercados. Os negócios com o petróleo bruto do tipo Brent para entrega em novembro fecharam em queda de 1,28% em Londres, a US$ 29,26 por barril. A razão foram as declarações do príncipe saudita, Abdullah bin Abdulaziz Al Saud, de que o País conta com capacidade ociosa na produção de petróleo de 2 milhões de barris diários. Segundo ele, a Arábia Saudita poderá aumentar a sua produção a qualquer momento, até esse limite, para estabilizar os preços nos mercados internacionais. As bolsas nos Estados Unidos reagiram com entusiasmo. O Dow Jones - Índice que mede as ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,84%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 3,34%. Mesmo assim, acabou a reunião dos chefes de Estado da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) em Caracas, com a divulgação da Declaração de Caracas, sem qualquer menção a aumentos de produção. Segundo ela, a Opep afirma "compromisso de continuar fornecendo petróleo ao mercado a preços justos e estáveis. Defende, também o diálogo com outros países produtores e com os países consumidores. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em seu discurso de encerramento, destacou a importância da carga tributária na composição do preço dos combustíveis. Para ele, é o elevado número de impostos e a especulação que elevam os preços. O euro operava em queda às 17:46, de 0,63%, a US$ 0,8792. As pesquisas de boca-de-urna na Dinamarca indicavam que o plebiscito convocado sobre a adoção da moeda única européia deve decidir pela manutenção da coroa dinamarquesa como moeda nacional. A recusa não surpreende os analistas, mas afeta a credibilidade da moeda. A queda só não foi maior pelo receio de nova intervenção para elevar as cotações do euro. Boas notícias para o cenário interno No Brasil, o dia foi de boas notícias. O governo anunciou recorde no superávit primário, o saldo das suas contas sem considerar os juros, de R$ 6,4 bilhões. O acumulado do ano, em R$ 31, 220 bilhões supera a meta estabelecida com o Fundo Monetário Internacional até setembro em R$ 2,22 bilhões. Além disso, constatou-se elevação no prazo médio dos títulos públicos federais de 13,22 meses em 31 de julho para 14,29 meses em 31 de agosto. Também foi divulgada a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de setembro, que percebeu desaceleração consistente da economia norte-americana, situação confortável das contas do governo e situação equilibrada da inflação, reconfirmando as metas de 6% para 2000 e 4% para 2001. Quanto ao preço do petróleo, afirma que ainda não estão confirmadas as condições para que haja um novo reajuste nos combustíveis esse ano. A ata chama atenção para a instabilidade do mercado nesse momento. Fechamentos dos mercados A Bovespa - Bolsa de Valores de São Paulo - fechou em alta de 1,04%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 16,950% ao ano, frente a 17,080% ao ano ontem. E o dólar fechou em R$ 1,8440, com queda de 0,27%.

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