Reuters Staff
Reuters Staff

Mercados internacionais fecham em alta após divulgação de balanços nos EUA

Gigantes do setor financeiro americano divulgaram hoje seus resultados para o 1º trimestre e números apontam que pior da crise já pode ter passado nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 17h00
Atualizado 14 de abril de 2021 | 17h45

Os principais índices do exterior fecharam em alta nesta quarta-feira, 14, de olho na abertura da nova temporada de balanços dos Estados Unidos e também na esteira da valorização do mercado de Nova York. Na Ásia, animou a informação de que uma série de empresas chinesas se comprometeram a cumprir as leis antitruste.

Hoje, a divulgação de balanços corporativos de grandes bancos dos EUA, incluindo Goldman Sachs, JP Morgan Chase e Wells Fargo, animou especialmente o setor financeiro da Europa - a ação do Societé Generale, por exemplo, avançou 1,09% em Paris. No primeiro trimestre de 2021, os três bancos registraram lucro recorde e acima do esperado por analistas, resultado que ajuda a reforçar a percepção de que o pior momento da crise já pode fazer parte do passado da maior economia do mundo.

No entanto, o mercado americano, apesar da boa notícia, acompanhou com certa tensão a divulgação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A ata aponta para a expectativa de alta dos preços dos EUA no curto prazo. Além disso, o presidente da entidade monetária, Jerome Powell, disse ainda que o país está entrando em um período de rápido crescimento econômico. No entanto, apesar do cenário, o Fed ainda não deve alterar sua política pró-estímulos.

Na Ásia, onde os índices fecharam antes da divulgação dos balanços, o apetite por riscos ganhou força após doze empresas chinesas da área de internet prometerem respeitar as normas antitruste do país. Apenas a ação da Meituan, que integra esse grupo de empresas, saltou 3,62% hoje em Hong Kong. O comprometimento vem em um momento no qual empresas chinesas do setor de tecnologia são constantemente ameaçadas de serem banidas do mercado de Nova York, por descumprimento das regras.

Bolsas de Nova York

Como era de se esperar, a informação de que a economia dos EUA está em pleno crescimento favoreceu a taxa de rendimento dos títulos do Tesouro americano (Treasuries). O papel com vencimento para dez anos subiu 1,627%, enquanto o de trinta anos teve alta de 2,317% no rendimento. As projeções de recuperação da maior economia do mundo favorecem os Treasuries o que, consequentemente, chama a atenção dos investidores, que preferem investir nos ativos - considerados um dos mais seguros do mundo -, do que nos índices acionários, principalmente se as taxas de rendimento estiverem atraentes.

A valorização dos Treasuries pesou ainda nos índices de Nova York, que costumam ficar mais voláteis nesse período de divulgação de balanços. O Dow Jones subiu 0,16%, enquanto S&P 500 e Nasdaq caíram 0,41% e 0,99%. O dia também foi marcado pela abertura de capital da Coinbase, principal corretora de criptomoeda dos EUA, cujo papel fechou com alta de 31,31%, chegando a ultrapassar a cotação de US$ 400.

Bolsas da Europa

No velho continente, ajudou ainda no bom desempenho a fala da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, sobre a continuação das medidas pró-estímulos no continente. Christine afirmou que a Europa está "submersa em incertezas" e, por isso, não seria prudente retirar as medidas de apoio antes da pandemia deixar de impactar a zona do euro. Por lá, a economia ainda dá sinais mistos -  a produção industrial local, por exemplo, caiu 1,0% em fevereiro ante janeiro, segundo dados divulgados hoje.

Em resposta, o  índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, avançou 0,19%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,71% e a de Paris teve ganho de 1,09%. Madri e Lisboa fecharam com altas de 0,40% e 0,66. Na contramão, Frankfurt caiu 0,17%, de olho na chance da Alemanha decretar um novo lockdown, já Milão recuou 0,10%.

Bolsas da Ásia

Os índices chineses de XangaiShenzhen tiveram altas de 0,60% e 1,41% cada, enquanto a Bolsa de Hong Kong avançou 1,42%, a de Seul subiu 0,42% e a de Taiwan teve ganho de 0,24%. A Bolsa de Tóquio foi a única a ir na contramão, fechando com queda de 0,44%, pressionada pelo fraco desempenho dos setores financeiro e de metais.

Na Oceania, a bolsa australiana avançou 0,66% - ficando acima da marca dos 7 mil pontos pela primeira vez desde fevereiro de 2020 -, com a ajuda de ações de mineração e tecnologia.

Petróleo

petróleo fechou em forte alta nesta quarta, no maior nível em um mês, após a Agência Internacional de Energia (AIE) estimar um novo avanço na demanda global pela commodity em 2021, para 5,7 milhões de barris por dia (bpd). Reforçando a agenda de notícias positivas, o Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês) informou que os estoques de petróleo recuaram 5,89 milhões de barris, a 492,423 milhões de barris no país americano, na semana encerrada em 9 de abril.

Em resposta, o barril do WTI com entrega prevista para maio avançou 4,94%, a US$ 63,15, enquanto o do Brent para junho subiu 4,57%, a US$ 66,58. Com a valorização, nos EUA, as ações da Chevron e da ExxonMobil avançaram 1,99% e 2,89% cada. Ainda hoje, a queda do dólar no exterior também foi fundamental para o desempenho do petróleo. /MAIARA SANTIAGO, SERGIO CALDAS, GABRIEL CALDEIRA E IANDER PORCELLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.