Reuters/Staff
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Mercados internacionais fecham sem sentido único com recrudescimento da pandemia

Na Ásia, confiança do investidor foi abalada após Alemanha, França e Holanda estenderem medidas de bloqueio para tentar frear uma nova onda de casos da doença

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2021 | 17h00
Atualizado 24 de março de 2021 | 18h16

Os principais índices do exterior fecharam sem sentido único nesta quarta-feira, 24, com a Ásia temendo que o recrudescimento da pandemia em algumas regiões volte a afetar a recuperação econômica global. Na Europa, dados sólidos de atividade na região ajudaram a deixar a covid-19 em segundo plano. No petróleo, a notícia de que um navio encolheu no Canal de Suez ajudou na cotação do barril.

A confiança do investidor asiático foi abalada após Alemanha, França e Holanda estenderem medidas de bloqueio para tentar conter uma nova onda de infecções por covid-19. No começo da semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia alertado sobre um aumento no número global de casos da doença.

Também gera apreensão a recente decisão de Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Reino Unido de anunciarem sanções à China por supostos abusos de direitos humanos de minorias étnicas na região de Xinjiang. Em protesto, Pequim convocou ontem seus embaixadores em todas essas localidades. 

Na Europa, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu de 48,8 em fevereiro para 52,5 em março, surpreendendo analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam aumento a 49,1. O PMI industrial saltou a 62,4 no mês, maior nível da série histórica iniciada em 1997. 

Na análise da Capital Economics, o bom desempenho dos PMIs de economias desenvolvidas reflete, em parte, distúrbios na cadeia produtiva. "E o PMI da zona do euro deve cair no mês que vem, à medida que novas restrições entrarem em vigor. Mas o aumento generalizado dos índices de emprego é um sinal encorajador de que as empresas estão contratando novamente", avalia. 

Petróleo

O petróleo futuro fechou em forte alta nesta quarta-feira, recuperando a maior partes das perdas de ontem, em sessão que registrou queda em torno de 6% nos contratos. Indicadores de atividade sólidos em economias avançadas ajudaram a sustentar as cotações. Investidores também reagiram à notícia de que um navio porta-contêiner encalhou no Canal de Suez, bloqueando a navegação em uma das principais rotas de abastecimento de petróleo do mundo, o que ajuda a controlar a oferta.

Segundo o ING, o comércio entre Europa e Ásia sentirá os primeiros impactos, acrescentando atrasos à cadeias "já interrompidas", que afetam o abastecimento do óleo e de produtos refinados. Uma alternativa viável, segundo o banco holandês, é mover a rota para o Canal da Boa Esperança, aumentando o tempo de entrega em cerca de um terço do atual. Em resposta, o WTI com entrega prevista para maio encerrou a sessão com ganhos de 5,92%, a US$ 61,18, enquanto o Brent para junho avançou 5,57% hoje, a US$ 64,25.

Bolsas de Nova York

Uma rápida deterioração na reta final do pregão fez as bolsas de Nova York fecharem no vermelho, apesar da alta do setor de energia, desencadeado pelo bloqueio da navegação no Canal de Suez. A ação da ExxonMobil ganhou 2,03% e a da Chevron aumentou 2,68%

No final do pregão, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq tiveram quedas de 0,01%, 0,55% e 2,01% cada. O papel do Facebook caiu 2,92%, enquanto a Tesla teve alta de 2,17%.

Bolsas da Ásia

A Bolsa de Tóquio cedeu 2,04%, enquanto a de Hong Kong caiu 2,03%, a de Seul recuou 0,28% e a de Taiwan teve baixa de 0,90%. Os índices chineses de XangaiShenzhen recuaram 1,30% e 1,41% cada.

Na Oceania, a Bolsa australiana contrariou o viés negativo da Ásia e avançou 0,50% em Sydney, impulsionada principalmente por ações de saúde e consumo.

Bolsas da Europa

O índice Stoxx 600, que reúne as principais ações do continente, encerrou com leve variação positiva de 0,02%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,20%, Paris teve leve ganho de 0,03% e Milão ganhou 0,39%. Madri teve alta de 0,64%.

Na contramão, a Bolsa de Frankfurt caiu 0,35%, após o Instituto Econômico Alemão cortar a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha para este ano, de 4% para 3%, devido à piora da pandemia no país. Lisboa perdeu 0,68%. /MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E SERGIO CALDAS

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