Ahn Young-joon/AP
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Mercados internacionais fecham mistos de olho em avanço da covid na Europa

Por outro lado, animou a meta dos EUA de aplicar 200 milhões de doses de imunizante nos cem primeiros dias do governo Biden; na Ásia, preocupa a chance das empresas de tecnologia locais serem punidas no mercado de NY

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2021 | 17h00
Atualizado 25 de março de 2021 | 17h39

Os principais índices do exterior fecharam mistos nesta quinta-feira, 25, com empresas do setor de tecnologia da Ásia temendo uma nova punição pelo mercado de Nova York. Já na Europa, o temor com o avanço de casos da covid-19 no continente voltou a preocupar os investidores, que temem uma nova onda de restrições.

Nos últimos dias,  AlemanhaFrançaHolanda e Bélgica voltaram a endurecer restrições, temendo uma terceira onda da pandemia. O Danske Bank afirma em relatório que a situação é "desafiadora" na União Europeia, com "casos em alta em vários países". Segundo o banco, há um avanço nos registros da doença, mesmo em meio a relaxamentos "moderados" das restrições até agora.

Hoje, o Banco Central Europeu (BCE) afirmou em relatório que a retomada de restrições mais rígidas no continente para conter o salto recente dos casos da covid-19 já se reflete na economia nas últimas semanas. Ainda no noticiário, foi reportado que a Novavax pode atrasar entregas de doses de vacinas almejadas pela União Europeia, em mais uma dificuldade para o bloco nesse processo. 

O Danske projeta que abril deve ser o "ponto de inflexão" da crise de saúde no Hemisfério Norte, em relação a casos e mortes pela covid-19, devido ao tempo mais quente na região e também ao avanço da vacinação dos mais idosos e grupos de maior risco em geral. Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, dobrou a meta de imunização e disse que planeja aplicar 200 milhões de doses nos seus 100 primeiros dias de governo, portanto até o final de abril. A primeira meta, de vacinar 100 milhões, foi atingida nos 59 primeiros dias do mandato do democrata.

Já no continente asiático,  a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, pela sigla em inglês) anunciou ontem a adoção de uma regra provisória determinando que algumas empresas estrangeiras submetam documentação para provar que não são controladas por entidades governamentais. A exigência deverá afetar principalmente empresas chinesas, que estão sujeitas a ter suas listagens em Nova York canceladas. Com a notícia, os papéis da BaiduAlibabaTencent caíram 9,65%, 3,91% e 2,81% cada.

Bolsas da Ásia

A Bolsa de Tóquio fechou com alta de 1,14%, enquanto a de Seul avançou 0,40% e a de Taiwan teve modesta valorização de 0,17%. Já o mercado de Hong Kong teve baixa marginal de 0,07%. Os índices chineses de Xangai e Shenzhen tiveram quedas de 0,10% e 0,02%.

Na Oceania, a bolsa australiana se recuperou no fim do pregão e avançou 0,17% em Sydney.

Bolsas da Europa

O índice pan-europeu Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou em baixa de 0,07%, enquanto a Bolsa de Londres caiu 0,57%, a de Madri registrou queda de 0,41% e a de Lisboa cedeu 1,67%.

Já a Bolsa de Frankfurt teve alta de 0,08%, após o índice de confiança do consumidor da Alemanha subir de -12,7 em março a -6,2 em abril. A Bolsa de Paris subiu 0,09% e a de Milão avançou 0,04%.

Bolsas de Nova York

Nos Estados Unidos, logo após Biden dobrar a meta de vacinação, o Bank Of America elevou a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) americano a 7,0% e 5,5% em 2021 e 2022, respectivamente. Também em resposta ao anúncio do presidente, os índices de Nova York, que trinham um desempenho negativo, passaram a subir. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com altas de 0,62%, 0,52% e 0,12% cada.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em forte baixa, após uma alta de cerca de 6% ontem, com cautela no mercado por preocupações com o recrudescimento da pandemia, especialmente na Europa. A valorização do dólar perante os pares também pressiona os preços do barril. O bloqueio do Canal de Suez , grande responsável pela forte alta ocorrida ontem, segue sendo monitorada. O bloqueio interessa diretamente aos produtores da commodity, já que a demora na entrega dos barris pode gerar um aumento temporário da demanda, o que favorece os preços.

Hoje, o barril do petróleo WTI com entrega prevista para maio encerrou a sessão com perdas de 4,28%, a US$ 58,56. Já o barril do petróleo Brent para junho recuou 3,82% hoje, a US$ 61,80. /MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE, GABRIEL CALDEIRA E SERGIO CALDAS

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