Yann Schreiber/AFP
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Covid-19

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Mercados internacionais apresentam piora diante cenário de recuperação lenta da economia

Agência Internacional de Energia prevê queda no PIB mundial ‘um pouco superior’ a 4%

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 07h13
Atualizado 14 de maio de 2020 | 21h21

Mercados de todo o mundo tiveram queda generalizada, após previsões de recuperação lenta da economia. Além disso, pesou no mercado internacional, os resultados do desemprego nos Estados Unidos, pior que o esperado pelos analistas.

O dia começou com a Agência Internacional de Energia (AIE), que divulgou na madrugada desta quinta-feira, 14, um relatório em que prevê a contração do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em “um pouco superior” a 4%. A entidade, sediada em Paris, prevê reduções particularmente acentuadas na Europa (-7,5% para a zona do euro), Estados Unidos (-6,1%), Japão (-5,2%) e América Latina (-5,2%)

A AIE não acredita que o crescimento econômico mundial retornará à sua tendência histórica imediatamente. “As economias domésticas sofreram um grande choque, muitas empresas entraram em colapso e o desemprego saltou para um nível nunca visto desde os anos 30”, afirmou a agência. “Espera-se que o colapso do comércio mundial, as interrupções nas cadeias de suprimentos globais, a fuga para a segurança nos mercados financeiros e uma queda acentuada na confiança dos consumidores e das empresas afetem a atividade econômica futura”, conclui o relatório.

Ásia e Oceania

As bolsas asiáticas fecharam em baixa generalizada nesta quinta-feira, após comentários do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, gerar preocupações de que a recuperação da economia global da pandemia de coronavírus seja mais lenta do que se esperava.

Em discurso que mobilizou a atenção de investidores na quarta-feira, 13, Powell disse que a "trajetória adiante é não apenas altamente incerta como está sujeita a significativos riscos negativos", alertando sobre a possibilidade de uma recessão pior do que qualquer outra desde a Segunda Guerra Mundial

Powell também pediu mais estímulos fiscais, sugerindo que o poder de fogo monetário do Fed pode não ser suficiente para conter estragos maiores, e descartou a possibilidade de o BC americano adotar juros negativos, hipótese que vinha sendo aventada nos mercados.

Ao longo desta semana, os negócios também foram pressionados por evidências de que países da região asiática, incluindo China e Coreia do Sul, enfrentam uma segunda onda de infecções por coronavírus, após suspenderem parte de suas medidas de isolamento.

As Bolsas da Ásia fecharam no negativo nesta quinta. Na China continental, o índice Xangai Composto terminou em queda de 0,96% e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,94%. O japonês Nikkei caiu 1,74% em Tóquioo Hang Seng cedeu 1,45% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,80% em Seul, e o Taiex registrou perda de 1,44% em Taiwan. Na Oceania, a bolsa australiana ficou igualmente no vermelho e o S&P/ASX 200 caiu 1,72% em Sydney.

Europa

O temor de uma segunda onda de infecções pelo coronavírus, conforme vários países europeus adotam ou ao menos traçam medidas para a gradual reabertura econômica, ditou o tom do mercado internacional. Nesta quinta, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), afirmou hoje que os dirigentes não pensam em juros negativos agora, mas também comentou que não se pode descartar nenhuma opção, o que pressionou a libra.

Nesse cenário, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, voltou a enfatizar a gravidade do quadro econômico na zona do euro, dizendo que há "enormes incertezas" sobre como serão retiradas as restrições à circulação. A preocupação com a reabertura das economias voltou a crescer após o registro de novos casos na Coreia do SulChina e Alemanha. 

Em resposta, o dia também foi de perdas para as Bolsas da Europa. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 2,17%, enquanto na Bolsa de Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 2,75%. Em Frankfurt, o DAX caiu 1,95% e na Bolsa de Paris, o CAC 40 recuou 1,65%. Em Milão, o FTSE MIB caiu 1,84% e em Madri, o índice IBEX 35 fechou em baixa de 1,29%. Já em Lisboa, o PSI-20 caiu 2,91%.

Bolsas de Nova York

Nesta quinta, os mercados foram duramente afetados pela número de pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidosque apesar da queda de 195 mil, ficou em 2,981 milhões na semana encerrada em 9 de maio. O resultado veio acima das previsões dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que traçavam um número em torno de 2,7 milhões de solicitações.

Já Donald Trumpem entrevista à Fox Business, disse esperar que a economia americana comece a se recuperar no terceiro trimestre, à medida que mais Estados do país reabram sua economia, após o período de bloqueios causado pela pandemia de coronavírus. Ele também afirmou que este "é um ótimo momento para se ter um dólar forte", agora que as taxas de juros estão baixas, embora o comércio tenda a ser prejudicado.

Porém, apesar do resultado negativo da parte da manhã, as Bolsas de Nova York terminaram o dia no positivo. O índice Dow Jones fechou em alta de 1,62%, o Nasdaq subiu 0,91% e o S&P 500 avançou 1,15%

Petróleo

commodity foi beneficiada nesta quinta, pelo relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE), que reduziu sua projeção para a queda na demanda em 2020, além do recuo no fornecimento global para 12 milhões de barris por dia (bpd) em maio, por causa da pandemia de coronavírus.

Em resposta, o petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em forte alta de 8,57%, a US$ 27,88 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado americano, recuou 6,65%, a US$ 31,13 o barril./ SÉRGIO CALDAS, CÉLIA FROUFE E MAIARA SANTIAGO

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