Ahn Young-joon/AP Photo
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Após invasão russa à Ucrânia, Bolsas da Ásia fecham em queda; mercado europeu também recua

Com o foco na crise do Leste Europeu, balanços de grandes empresas da Europa divulgados - incluindo da AB InBev, Telefónica, Anglo American e Lloyds - ficaram em segundo plano

Sergio Caldas e Guilherme Bianchini, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2022 | 06h24
Atualizado 24 de fevereiro de 2022 | 06h31

As Bolsas da Europa abriram em baixa de até mais de 4% nesta quinta-feira, 24, em reação ao anúncio de que a Rússia está lançando uma operação militar no leste da Ucrânia. Durante a madrugada, o presidente russo, Vladimir Putin, informou sobre o lançamento de uma operação militar no leste da Ucrânia. Além disso, há relatos de que explosões foram ouvidas na capital ucraniana, Kiev, e nas cidades de Kharkiv e Odessa. 

Com o foco na crise do Leste Europeu, balanços de grandes empresas da Europa divulgados - incluindo da AB InBev, Telefónica, Anglo American e Lloyds - ficaram em segundo plano. Às 5h16, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres caía 2,61%, a de Frankfurt recuava 4,04% e a de Paris se desvalorizava 3,56%. Já as de Milão, Madri e Lisboa tinham perdas de 3,37%, 3,44% e 2,92%, respectivamente. O barril de petróleo também foi impactado pela ação russa no Leste Europeu, atingindo o maior valor desde 2014, ultrapassando US$ 100

As Bolsas da Ásia também fecharam com fortes perdas nesta quinta-feira, em reação aos últimos desdobramentos da crise entre Ucrânia e Rússia. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu aplicar "severas" sanções à Rússia, após conversar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Seguindo linha semelhante, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a União Europeia (UE) responderá com sanções "amplas e direcionadas" contra Moscou.

Na volta de um feriado no Japão, o índice Nikkei caiu 1,81% em Tóquio, a 25.970,82 pontos, enquanto o Hang Seng sofreu tombo de 3,21% em Hong Kong, a 22.901,56 pontos, o sul-coreano Kospi teve queda de 2,60% em Seul, a 2.648,80 pontos, e o Taiex registrou baixa de 2,55% em Taiwan, a 17.594,55 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto recuou 1,70%, a 3.429,96 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve perda ainda mais expressiva, de 2,36%, a 2.282,44 pontos.

Na Oceania, a Bolsa da Austrália sofreu a maior queda em um único pregão desde setembro de 2020, em meio às tensões no Leste Europeu. O S&P/ASX 200 caiu 2,99% em Sydney, a 6.990,60 pontos.

BC da Rússia anuncia intervenção na moeda local 

O banco central da Rússia anunciou nesta quinta-feira que vai iniciar uma intervenção no mercado de câmbio, após o rublo atingir uma mínima recorde nas horas posteriores à invasão das tropas russas na Ucrânia.

Durante a madrugada, o rublo despencou frente ao dólar e atingiu o menor nível de sua história. Às 6h20 (de Brasília), o dólar saltava a 85,22 rublos, ante 81,19 rublos no fim da tarde de quarta, após tocar mais cedo a máxima inédita de 90,01 rublos.

A Bolsa de Moscou, que chegou a ficar suspensa "até novo aviso", reabriu às 10h no horário local (4h de Brasília) e registrou queda acentuada. Por volta das 6h20 (de Brasília), o índice MOEX, referência no mercado de Moscou, despencava quase 30%.

A Rússia possui mais de US$ 600 bilhões em reservas cambiais e ouro, alternativa que pode ser usada nos mercados de câmbio para sustentar o rublo. Uma moeda em rápida depreciação dificulta o pagamento de dívidas externas e leva a preços mais altos dos produtos importados. / COM AGÊNCIAS 

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