Neil Hall/EFE/EPA
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Guerra na Ucrânia: bolsas despencam em todo o mundo por causa do conflito

Movimento de queda impactou mercados distintos pelo temor de que ataques russos à Ucrânia continuem

Bruna Camargo, Gabriel Bueno da Costa, Gabriel Caldeira e Letícia Simonato*, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2022 | 09h12
Atualizado 28 de fevereiro de 2022 | 21h19

O avanço da invasão russa à Ucrânia voltou a provocar estragos no mercado financeiro global ontem. As bolsas da Europa fecharam o dia majoritariamente em queda. Nos Estados Unidos, a Bolsa de Nova York fechou em queda, enquanto a Nasdaq acabou encontrando fôlego e terminou o dia em alta. 

Em Londres, o índice FTSE 100 recuou 0,42%, enquanto em Frankfurt o DAX cedeu 0,73%. No mercado britânico, a ação da BP tombou 3,95%, após a companhia anunciar que deixará sua participação de quase 20% na petrolífera russa Rosneft. Com esse movimento, o impacto financeiro para a BP pode chegar a US$ 25 bilhões, dependendo do que a empresa possa recuperar com a venda da participação da Rosneft, avaliada em US$ 14 bilhões no final do ano, segundo a empresa.

O FTSE MIB, de Milão, perdeu 1,39%. O CAC 40, de Paris, caiu também 1,39%. Em Lisboa, o PSI 20 foi na contramão da maioria e subiu 1,24%, com a ação da EDP em alta de 3,98% e EDP Renováveis, de 9,15%. O Ibex 35, de Madri, por sua vez, registrou baixa de 0,09%.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 0,49% e o S&P 500 perdeu 0,24%. Já a Nasdaq subiu 0,41%.

O mercado acompanhou durante o dia notícias de que Putin colocou em alerta máximo as forças nucleares russas, o que em tese permitiria um lançamento mais rápido dos mísseis. A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que o processo é parte de um padrão de ameaças fabricadas pelo líder para justificar mais agressões.

Sanções

Ontem, assim como em todo o fim de semana, os americanos e vários países europeus impuseram mais sanções contra a economia da Rússia. Estados Unidos, União Europeia (UE) e Reino Unido concordaram em expulsar bancos russos do sistema financeiro global Swift, além de aplicar bloqueios ao Banco Central do país, medida que foi seguida também pelo Japão e pelo Canadá. Além disso, os governos da França e da Suíça informaram que estavam se preparando para confiscar bens de autoridades e líderes empresariais russos.

Em resposta à crise interna que começa a se instaurar com as sanções, o Banco Central russo elevou a taxa básica de juro de 9,5% a 20% ao ano e aplicou controles de capital, de forma a conter a depreciação do rublo – moeda local – e a inflação. Com isso, a bolsa de Moscou não operou na segunda-feira, conforme informado pela entidade.

De acordo com Edward Moya, da Oanda, o colapso financeiro da Rússia, após todas as sanções anunciadas por vários países, levou a algumas preocupações de “contágio”, e os preços crescentes das commodities alimentam as pressões inflacionárias. “É quase impossível ser agressivamente otimista, dadas as incertezas geopolíticas e as contínuas pressões de alta da inflação. Todos os olhos permanecem na guerra na Ucrânia e em cada movimento que a Rússia faz”, destacou, em relatório enviado a clientes.

* Com informações da Dow Jones Newswires 

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