Aly Song/Reuters
Aly Song/Reuters

portfólio

E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Mercados internacionais: chance de nova onda da covid-19 e dados econômicos ditam Bolsas

Bolsas da Europa abriram as negociações desta quarta-feira em queda generalizada, com PIB do Reino Unido recuando 2%; Ásia teve fechamentos em alta, com exceção de Hong Kong e Japão

Sergio Caldas e Felipe Siqueira, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2020 | 07h00
Atualizado 14 de maio de 2020 | 18h14

Em meio à possibilidade de uma nova onda de contaminações pelo novo coronavírus, causador da covid-19, em países que já haviam registrado quedas significativas nos dados sobre a doença, os mercados internacionais vêm tendo uma semana agitada, com expressivas diferenças de direções, com queda e crescimento, em claro sinal de volatilidade, durante um mesmo dia. 

Na manhã desta quarta-feira, 13, as Bolsas da Europa fecharam em queda generalizada, não só pelo receio de novo ciclo da pandemia na Europa e na Ásia, mas também por dados econômicos fracos, como o recuo de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido e dados de empresa alemã. 

Na Ásia, os resultados tiveram um tom mais positivo, com apenas Hong Kong e Japão fechando com o índice de maneira negativa. Os mercados da região aguardam discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell. Mas, por lá, o receio de uma possível nova onda de contaminações faz com que alguns locais tomem novas medidas de restrições. Em Jilin, cidade no nordeste da China, já se avalia nova rodada de restrições sobre viagens para conter a pandemia, com seis novos casos reportados na última terça-feira, 12. 

Bolsas da Europa 

As Bolsas europeias operam em baixa no começo do pregão desta quarta-feira, influenciadas por preocupações com uma nova onda de infecções por covid-19 em países que estão gradualmente reabrindo suas economias. Investidores também digerem uma série de indicadores do Reino Unido, incluindo o Produto Interno Bruto (PIB), que encolheu 2% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores, e o balanço trimestral do banco alemão Commerzbank, que teve prejuízo entre janeiro e março.

Em resposta, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 1,94% e em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 1,51%. Em Frankfurt, o DAX recuou 2,56%, após o banco Commerzbank registrar prejuízo no primeiro trimestre. Na Bolsa de Paris, o CAC 40 fechou em baixa de 2,85% e em Milão, o FTSE MIB teve queda de 2,14%. Na Bolsa de Madri o IBEX 35 caiu 1,94% e em Lisboa, o PSI 20 fechou em baixa de 1,81%.

Bolsas da Ásia 

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, à espera de um discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, mas ainda digerindo também recentes evidências de que países da região enfrentam uma segunda onda de casos de coronavírus. Na China continental, o dia foi de ganhos modestos, com destaque positivo para ações do setor de saúde. O índice Xangai Composto subiu 0,22%, a 2.898,05 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,67%, a 1.822,85 pontos.

Por outro lado, o japonês Nikkei caiu 0,49% em Tóquio, a 20.267,05 pontos, pressionado por ações de siderúrgicas e de montadoras, enquanto o Hang Seng recuou 0,27% em Hong Kong, a 24.180,30 pontos, influenciado pelo fraco desempenho de papéis de operadoras de cassinos com sede em Macau

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi se valorizou 0,95% em Seul, a 1.940,42 pontos, com a ajuda dos setores químico, de biotecnologia e varejista, enquanto o Taiex assegurou ganho de 0,54% em Taiwan, a 10.938,27 pontos.

Investidores vão ficar atentos, a partir das 10h (de Brasília), a um discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, em meio a uma crescente especulação de que o BC americano poderá vir a adotar juros negativos, como parte de sua estratégia para combater os efeitos da pandemia de coronavírus. Atualmente, o Fed mantém seu juro básico numa faixa de 0% a 0,25%.

Na Oceania, a Bolsa australiana ficou no azul, graças a mineradoras e aos setores de telecomunicações e saúde. O S&P/ASX 200 avançou 0,35% em Sydney, a 5.421,90 pontos. 

Bolsa de Nova York

O mercado americano foi abalado nesta quarta, pela fala de Jerome Powell, presidente do Fed, de que a autoridade monetária não considera a implementação de juros negativos nos Estados Unidos. Ele ainda acrescentou que esta não é "uma política atrativa" e que sua eficácia é "mista".

Contudo, Powell ainda comentou que medidas adicionais podem ser necessárias, para evitar ainda mais impactos na economia americana em função do coronavírus. Nesse cenário, o presidente do Fed disse também que a recuperação pode demorar algum tempo, que ampliou para o mercado os riscos de que problemas de liquidez se transformem em uma crise de solvência.

Em resposta, as Bolsas de Nova York tiveram perdas generalizadas. O Dow Jones fechou em queda de 2,17%, em 23.247,97 pontos, o Nasdaq caiu 1,55%, para 8.863,17 pontos, perdendo a marca de 9 mil pontos, e o S&P 500 registrou baixa de 1,75%, a 2.820,00 pontos.

Petróleo 

Além das falas de Jerome Powell, presidente do Fed, a commodity foi afetada nesta quinta pela previsão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que a pior contração nos principais centros de demanda de petróleo no mundo, devido a pandemia de covid-19, vai ocorrer no segundo trimestre do ano. O grupo também acentuou sua projeção para 'queda da demanda' no ano inteiro.

Nesse cenário, o WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em queda 2,47%, a US$ 25,68 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, referência no mercado europeu, recuou 2,64%, a US$ 29,19 o barril. / COLABOROU MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.