Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA
Jeon Heon-Kyun/EFE/EPA

Mercados internacionais fecham em alta após confirmação de vitória de Biden nos EUA

Também animou os investidores, a conquista do controle do Congresso americano pelos democratas, o que amplia a chance de mais estímulos à economia

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2021 | 07h30
Atualizado 07 de janeiro de 2021 | 19h13

O mercado internacional fechou majoritariamente em alta nesta quinta-feira, 7, após o reconhecimento da vitória de Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos pelo Congresso. No entanto, os investidores ainda monitoram o impasse no cenário político americano, após a invasão do Capitólio por apoiadores pró-Trump na última quarta.

Além do reconhecimento de Biden, os índices internacionais também reagiram bem a vitória de dois senadores democratas no Estado de Geórgia, que deram o controle do Congresso americano para o partido do presidente eleito. A expectativa agora é que, com a maioria no legislativo, a agenda de Joe Biden não encontre grandes desafios pelo caminho, o que abre espaço para novas medidas de estímulos econômicos, umas das principais iniciativas do novo governo para ajudar a reaquecer a economia dos EUA.

O cenário político americano, no entanto, continua caótico, após a invasão do Congresso na última quarta-feira, 6. Nesta quinta, deputados democratas já tentaram organizar um possível pedido de impeachment contra Donald Trump. Além disso, eles articulam a chance de acionar a 25ª emenda, que destitui do poder um presidente considerado inapto para governar.

O otimismo com a economia dos EUA superou uma possível cautela diante do avanço da covid-19 em diversas partes do mundo. Segundo contagem da agência de notícias Reuters, a Europa ultrapassou hoje a marca de 25 milhões de infecções por coronavírus. Enquanto isso, na Ásia, China e Japão - países que concentram os principais mercado do continente - anunciaram novos bloqueios regionais para frear o alastramento da doença.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta quinta-feira em alta e renovaram as máximas históricas de fechamento, impulsionadas pela confirmação da chamada "onda azul" nos EUA, com os democratas no controle da Casa Branca, da Câmara dos Representantes e do Senado. O Dow Jones avançou 0,69%, o S&P 500 subiu 1,48% e o Nasdaq registrou ganho de 2,56%.

"Vemos o resultado das eleições na Geórgia como ligeiramente positivo para as ações devido às maiores chances de estímulo em uma base ampla", afirma o diretor de Estratégia de Ações Globais do Julius Baer, Patrik Lang. O banco suíço vê apenas um risco "limitado" de impostos e regulações mais altas, o que chegou a gerar certa cautela nos investidores, já que a maioria democrata no Senado será "frágil". "Os investidores estão rejeitando as preocupações sobre mudanças nos impostos ou regulamentação ou consequências de longo prazo do aumento da dívida e dos déficits", afirma a economista-chefe do Stifel, Lindsey M. Piegza.

No S&P 500, o subíndice do setor de tecnologia liderou os ganhos, com 2,65%. As ações da Apple subiram 3,41%, as da Microsoft avançaram 2,85% e as do Facebook registraram alta de 2,06%.

Bolsas da Europa

Depois de uma abertura mista, os índices acompanharam o bom humor do mercado de Nova York e passaram a projetar um cenário mais favorável para a economia americana, no novo governo Biden. Com isso, o índice pan-europeu Stoxx 600, que lista as principais empresas europeias, fechou com alta de 0,51%.

Ganhos, também modestos, foram vistos nas outras Bolsas do continente. Londres teve ganho de 0,22%, Paris subiu 0,70% e a Bolsa de Frankfurt avançou 0,55%, apoiada pelo bom desempenho de indústrias farmacêuticas envolvidas na distribuição de vacinas contra a covid-19. Milão, Madri e Lisboa fecharam com altas de 0,05%, 0,43% e 2,20% cada.

Bolsas da Ásia

A agenda de mais incentivos de Biden também animou o mercado local - nesta quinta, a Bolsa de Tóquio chegou a bater recorde de cotação intradia em 30 anos, para depois fechar com alta de 1,60%. A tendência foi seguida pelo índice Kospi, da Bolsa de Seul, que avançou 2,14%. Na China continental, o índice de Xangai subiu 0,71% e o de Shenzhen, 1,11%. A Bolsa de Sydney se fortaleceu 1,59%.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 0,52%, após preocupações dos investidores com o lado "regulatório" do programa de governo de Biden, que pode prejudicar as grandes empresas de tecnologia asiáticas, que tem seus papéis negociados em Wall Street.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta quinta, pelo terceiro pregão consecutivo, impulsionados pelo apetite por risco nos mercados internacionais após os democratas garantirem o controle do Senado dos EUA. Além disso, a commodity ainda repercute a decisão da Arábia Saudita nesta semana de cortar a produção em 1 milhão de barris por dia em fevereiro e março.

O contrato do WTI para fevereiro subiu 0,40%, a US$ 50,83 o barril, enquanto o Brent para março avançou 0,15%, a US$ 54,38 o barril. Para Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York, se o mundo tiver mais de cinco vacinas contra o coronavírus disponíveis até o final do primeiro trimestre, "os preços do petróleo serão capazes de evitar a maioria das pressões de curto prazo sobre a demanda pelo barril".MAIARA SANTIAGO E IANDER PORCELLA

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