Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Mercados internacionais fecham em alta após divulgação de dados da inflação dos EUA

Investidores deixaram o temor com a alta da inflação temporariamente de lado nesta sexta, mas continuam monitorando os posicionamentos dos bancos centrais sobre o tema

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 17h17

Os mercados fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, 11, um dia após a divulgação de dados sobre a inflação dos Estados Unidos, que apesar de apontar para a recuperação econômica do país, também podem vir acompanhados do corte das medidas de estímulos adotadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano)

Segundo dados publicados ontem, a taxa anual da inflação ao consumidor (CPI, na sigla americana) dos EUA atingiu 5% em maio, superando as expectativas e tocando o maior patamar desde agosto de 2008. Caso o Fed decida alterar sua política monetária antes de 2022, alguns dos maiores bancos centrais do mundo podem decidir acompanhá-lo, o que preocupa o mercado, já que a recuperação das maiores economias do mundo, principalmente a americana, ainda não é sólida. Na semana que vem, o banco central americano vai anunciar a sua decisão sobre o tema, ao realizar uma reunião para discutir a política monetária dos EUA.

Em maio, a inflação ao produtor chinês também atingiu máxima em quase 13 anos, mas a inflação ao consumidor ganhou força de forma mais controlada. Na China, o presidente do PBoC (o banco central chinês), Yi Gang, disse que a instituição irá manter sua política monetária inalterada por entender que a inflação local está sob controle e que o desempenho da economia é razoável. Ontem, o Banco Central Europeu (BCE) também decidiu por não alterar as suas medidas de estímulos.

Na agenda de indicadores, a produção industrial do Reino Unido caiu 1,3% em abril ante março, o que contrariou previsão de alta de 1,0% dos analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal. Segundo o Commerzbank, há ainda o risco de o país enfrentar nova onda da covid-19, mesmo que esteja avançado no processo de vacinação. 

Bolsas de Nova York

O mercado de Nova York operou misto durante boa parte do pregão, mas os índices recuperaram o fôlego já no final do pregão e viraram para o positivo, à espera da decisão do Fed sobre a política monetária dos Estados Unidos. O Dow Jones subiu 0,04%, S&P 500 teve ganho de 0,2%, e voltou a renovar seu recorde histórico de fechamento, e o Nasdaq avançou 0,35%.

Bolsas da Europa 

O mercado europeu fechou em alta, com os investidores deixando em segundo plano os temores com a inflação, após as perdas do dia anterior. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,65%, enquanto a Bolsa de Londres teve ganho de 0,65%, Paris avançou 0,83% e Frankfurt registrou alta de 0,78%. 

As Bolsas de Milão, Madri e Lisboa subiram 0,31%, 0,78% e 0,82% cada. Todos os índices encerraram a semana com ganhos acumulados.

Bolsas da Ásia

No continente asiático os índices fecharam mistos, influenciados pela inflação dos EUA, que foi divulgada apenas quando o mercado local já estava fechado. A Bolsa de Tóquio teve baixa marginal de 0,03%, enquanto os índices chineses de Xangai e Shenzhen cederam 0,58% e 0,60% cada. Na contramão, a Bolsa de Hong Kong teve ganho de 0,36%, Taiwan subiu 0,32% e Seul avançou 0,77%.

Na Oceania, a bolsa australiana fechou em nível recorde pelo segundo pregão consecutivo nesta sexta, em alta de 0,13%. 

Petróleo

petróleo fechou a sessão desta sexta-feira em alta, acumulando a terceira semana seguida de avanço. Hoje, o óleo ganhou impulso após o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), que previu retomada da demanda global aos níveis anteriores à pandemia de covid-19 até o fim de 2022. Ainda de acordo com Louise Dickson, analista da Rystad Energy, "a reabertura da Europa, a forte atividade industrial chinesa e os recentes sinais encorajadores dos EUA" também deram fôlego aos contratos.

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para o mês que vem teve alta de 0,88% hoje, e de 1,85% na semana, a US$ 70,91, enquanto o do Brent para agosto avançou 0,23% nesta sexta, e 1,11% nos últimos sete dias, a US$ 72,69. /MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.