Erin Scott/The New York Times
Erin Scott/The New York Times

Mercados internacionais fecham em alta com chance de aprovação de novos estímulos nos EUA

Joe Biden, Donald Trump e a presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, pediram que parlamentares aprovem pacote de incentivo de US$ 908 bilhões proposto por democratas e republicanos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 17h38
Atualizado 04 de dezembro de 2020 | 19h46

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em alta nesta sexta-feira, 4, com a possibilidade de mais estímulos econômicos nos Estados Unidos, após o presidente eleito do país, Joe Biden, pedir aos parlamentares que aprovem o pacote de US$ 900 bilhões apresentado nesta semana. Donald Trump também sinalizou apoio a medidas para aliviar a economia, diante do avanço da pandemia no território americano.

O pedido vem após na última quarta-feira, 2, líderes democratas no Senado defenderem, em nota, que governo e oposição trabalhem a partir da proposta de US$ 908 bilhões revelada por um grupo de parlamentares dos dois partidos, para conter os efeitos da pandemia. A possibilidade de um novo pacote fiscal nos EUA anima os mercados porque a expectativa é de que, com mais dinheiro circulando no país, a economia ganhará mais força.

Nesta sexta, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi afirmou durante entrevista coletiva que há uma "grande negociação" em andamento por mais estímulos em Washington. Ela também alertou que, com o aumento de casos da covid-19 e um cenário ainda indefinido sobre a vacina, é extremamente necessário aprovar novos incentivos, já que o mercado de trabalho americano ainda "não está ótimo".

Segundo o relatório de emprego do Departamento de Trabalho, o chamado Payroll, os EUA geraram 245 mil novas vagas em novembro, frustrando a expectativa dos analistas de 450 mil novos postos no mês. Por outro lado, a taxa de desemprego caiu de 6,9% em outubro para 6,7% em novembro, para além da expectativa de baixa de 6,8%. No entanto, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Minneapolis classificou de "enganosa" a queda na taxa de desemprego e disse que o número real é de 10%.

Bolsas de Nova York

A chance de novos estímulos, somada a algum avanço no mercado de trabalho americano, rendeu ganhos para o mercado acionário americano. O índice Dow Jones subiu 0,83%, o S&P 500 avançou 0,88%, enquanto o Nasdaq cresceu 0,70%. Os três índices bateram recordes de fechamento nesta sexta. Na comparação semanal, os índices registraram ganhos ainda maiores, com o Dow Jones avançando 1,03%, o S&P 500 1,67%, e o Nasdaq subindo 2,12%.

A tônica otimista das bolsas nova-iorquinas superou, inclusive, um novo recorde de casos diários do novo coronavírus nos EUA, segundo autoridades locais. Na última quarta-feira, 2, o país registrou 3,2 mil mortos em 24 horas, o maior desde o início da pandemia. Na opinião de alguns especialistas, os EUA estão enfrentando o momento mais difícil da história da saúde pública americana.

Bolsas da Europa

Além da chance de mais estímulos nos EUA, a possibilidade de um acordo comercial pós-Brexit, forma como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia, estar próximo de ser fechado, animou o mercado local. Segundo afirmou de forma anônima um dirigente UE à Reuters, um acordo com os britânicos é "iminente" e deve sair já no fim de semana. 

Com a sinalização, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,59%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,92%. Paris teve ganho de 0,62% e Frankfurt avançou 0,35%. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,78%, 1,49% e 1,37% cada.

Bolsas da Ásia

No continente asiático, as Bolsas encerraram o dia com valorização, diante da chance de mais estímulos. Em Seul, o índice Kospi liderou os ganhos no continente, com avanço de 1,31%. Na China continental, o índice Xangai Composto subiu 0,07%, acompanhado pelo Shenzhen Composto, menos abrangente, que teve elevação de 0,40%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 0,40%. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da Bolsa de Sydney, fechou em alta de 0,28%.

O Nikkei, em Tóquio, caiu 0,22%, em meio a preocupações com a covid-19 no Japão. Investidores têm dedicado atenção ao país, sobretudo após a prefeitura de Osaka emitir um "sinal vermelho" sobre a situação da doença na cidade.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam com ganhos, nesta sexta-feira, com investidores em geral propensos a assumir riscos, diante do maior otimismo com a chance de novos estímulos fiscais nos EUA. Além disso, o acordo revisado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), anunciado na última quinta-feira, 3, continuava a ser avaliado. Ontem, o grupo anunciou alta de 500 mil barris por dia (bpd) em sua produção a partir de janeiro, evidenciando o clima de otimismo com a retomada da economia em 2021.

O petróleo WTI para janeiro fechou em alta de 1,36%, a US$ 46,26 o barril, enquanto o Brent para fevereiro avançou 1,11%, a US$ 49,25 o barril. Na comparação semanal, o contrato do WTI subiu 1,60%./ MAIARA SANTIAGO, EDUARDO GAYER E GABRIEL CALDEIRA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.