Eugene Hoshiko/AP
Eugene Hoshiko/AP

Mercados internacionais fecham em alta com melhora no lucro das indústrias da China

Dados mostram que lucro das empresas do setor saltou 28,2% em outubro, alimentando a visão de que a economia chinesa foi a primeira a entrar e a primeira a sair da crise

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 17h33
Atualizado 27 de novembro de 2020 | 19h16

A melhora no lucro das grandes indústrias da China, enquanto muitos países enfrentam uma segunda onda da pandemia, deu novo fôlego aos mercados nesta sexta-feira, 27, e fez com que as Bolsas de Ásia, Europa e Nova York fechassem em alta. Além disso, a indicação de novos estímulos por parte dos principais bancos centrais também ficou no radar.

O lucro das grandes empresas industriais da China saltou 28,2% em outubro ante igual mês do ano passado, ganhando força em relação ao acréscimo anual de 10,1% observado em setembro, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, pela sigla em inglês). O indicador alimenta a visão de que a economia chinesa foi a primeira a entrar e é a primeira a sair da crise da covid-19

O sinal positivo do continente asiático veio em um contexto no qual as autoridades monetárias dos principais países do mundo discutem formas de manter a economia aquecida, em meio a um novo aumento de casos da doença. Nesta semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), reforçou que irá continuar usando os instrumentos necessários para ajudar os Estados Unidos no processo de retomada.

Já o membro do Comitê Executivo do Banco Central Europeu, Fabio Panetta, defendeu nesta sexta a ampliação das políticas de estímulo monetário do banco e disse que há consenso no grupo para "recalibrar" os instrumentos em dezembro, à medida que o objetivo da entidade para a inflação da zona do euro não parece que será atingido a curto prazo.

Bolsas da Ásia

O resultado positivo das indústrias da China alimentou os ganhos do continente asiático. Os índices chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 1,14% e 0,34% cada, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,28%. O japonês Nikkei subiu 0,40% e o sul-coreano Kospi avançou 0,29% - os dois baterem recordes de cotação nesta sexta.

Na Oceania, as bolsas ficaram sem sentido único. O índice de Sydney caiu 0,53%, mas o de Wellington teve alta diária de 0,30%.

Bolsas da Europa

Também estimulados pela China, os índices europeus fecharam em alta. A menor do continente foi a da Bolsa de Londres, que teve leve ganho de 0,07% de olho no pós-Brexit, forma como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia. Segundo autoridades, a possibilidade é que essa saída ocorra de forma brusca e sem nenhum tipo de acordo econômico.

Já o índice pan-europeu Stoxx 600 teve alta de 0,40%, enquanto Paris avançou 0,56% e Frankfurt subiu 0,37%, apesar da Alemanha ter ultrapassado hoje a marca de um milhão de casos. Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,68%, 1,06% e 0,97% cada.

Bolsas de Nova York

O dado favoreceu ainda o mercado acionário americano, que encerrou o pregão mais cedo nesta sexta, após ficar fechado na última quinta-feira, 26, por conta do feriado do Dia de Ação de Graças. Por lá, as declarações de Donald Trump seguraram os ganhos, pois jogaram incertezas sobre a transição de governo. Ele afirmou que o presidente eleito, Joe Biden, só entraria na Casa Branca se provasse que não recebeu votos fraudulentos.

Mesmo assim, os principais índices do mercado acionário americano fecharam no positivo. Dow Jones subiu 0,13%, S&P 500 avançou 0,24% e Nasdaq teve ganho de 0,92%, com os dois últimos batendo recorde de fechamento, com a ajuda de ações de varejistas diante das expectativas para as vendas na tradicional Black Friday, que acontece hoje.

Petrobrás

O petróleo ficou sem direção única, com o contrato negociado em Nova York tendo menos liquidez, também com sessão mais curta. O barril do WTI com entrega agendada para janeiro fechou em queda de 0,39%, a US$ 45,53, mas o do Brent para igual mês subiu 0,79%, a US$ 48,18.

Pela manhã, o Irã confirmou o assassinato do cientista Mohsen Fakhrizadeh, que participava do programa nuclear do país persa. A notícia pesou um pouco sobre as cotações, com temores de que ela pudesse levar a um recrudescimento das tensas disputas geopolíticas na reunião./ MAIARA SANTIAGO, MATEUS FAGUNDES E GABRIEL CALDEIRA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.