Eugene Hoshiko/AP
Eugene Hoshiko/AP

Mercados internacionais fecham em alta com vacina para covid e pacto comercial da China

Nesta segunda, a moderna anunciou que sua vacina teve eficácia superior a 90% contra o vírus; parceria econômica reúne China, Japão, Coreia do Sul e mais outros 12 países

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 18h02
Atualizado 16 de novembro de 2020 | 19h08

As Bolsas de Ásia, da Europa e de Nova York fecharam em alta nesta segunda-feira, 16, com a notícia de que mais um imunizante contra a covid-19 apresentou resultados positivos, em um momento no qual os países europeus e os Estados Unidos presenciam um novo aumento de casos da doença. Além disso, um novo acordo comercial liderado pela China ajudou a sustentar os ganhos do mercado.

A criação da Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP, na sigla em inglês) - que reúne a China, Japão, Coreia do Sul e mais 12 países da Ásia e do Pacífico - impulsionou os ganhos ao redor do planeta, à medida que os investidores veem o acordo como um motor para a recuperação da crise pós-covid. Em nota, os analistas do BBH destacaram que o pacto pode acrescentar até US$ 200 bilhões ao PIB global.    

Mas o grande motor das bolsas foi o anúncio da farmacêutica americana Moderna, de que sua vacina experimental contra a covid-19 atingiu eficácia de 94,5% na fase 3 de testes. Horas depois, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a compra de 405 milhões de doses da CureVac e disse esperar um acordo "em breve" com a Moderna.    

Além dela, o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, Anthony Fauci descreveu a informação da Moderna como "impressionante". Segundo Fauci, as pessoas que não fazem parte dos grupos de risco devem começar a ser vacinadas a partir do fim de abril de 2021, em processo que deve durar alguns meses até que a maior parte da população esteja imunizada. O infectologista disse também que as primeiras doses contra covid-19 devem começar a ser distribuídas nas últimas semanas de dezembro.

Com a notícia, o imunizante da Moderna entrou no páreo ao lado da vacina que está sendo elaborada pela Pfizer com a BioNTech, que também apresentou eficácia de mais de 90%, segundo análises preliminares. Na Rússia, a Sputnik V teve 92% de eficácia contra o vírus.

Bolsas da Ásia

As Bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada nesta segunda-feira, com os ganhos chegando a superar 2% em alguns casos, após dados animadores da China. A produção industrial do país asiático subiu 6,9% em outubro ante igual mês de 2019, acima do estimado pelo consenso do mercado, e as vendas no varejo aceleraram o ritmo de alta, em mesma base, a 4,3%. No Japão, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou à taxa anualizada de 21,4% no terceiro trimestre de 2020.

Em Tóquio, o japonês Nikkei saltou 2,05%, atingindo o maior patamar desde junho de 1991. O sul-coreano Kospi avançou 1,97% em Seul, o maior nível em 33 meses; o Hang Seng se valorizou 0,86% em Hong Kong; e o Taiex registrou alta de 2,10% em Taiwan. Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,11% e o menos abrangente Shenzhen Composto, 0,93%.

Bolsas da Europa

A chance de uma nova vacina fez com que o índice pan-europeu Stoxx 600 terminasse a sessão com alta de 0,93%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 1,66%. Paris teve ganho de 1,70% e Frankfurt avançou 0,47%. Milão, Madri e Lisboa tiveram altas de 1,98%, 2,60% e 1,35% cada. 

Com o imunizante, os dois setores mais afetados pela pandemia, petróleo e empresas relacionadas à aviação, tiveram altas no velho continente. Em Londres, os papéis da petroleira BP avançaram 5,85% e da companhia aérea EasyJet saltaram 5,59%. Em Paris, a Total subiu 4,87% e a Airbus, 5,19%. E em Frankfurt, a Deutsche Lufthansa teve ganho de 7,43%.

Bolsas de Nova York

Nos mercados financeiros, operadores já negociam a partir da suposição de que a pandemia começa a entrar em sua fase final. Em Wall Street, o Dow Jones fechou em alta de 1,60%, a 29.950,44 pontos, renovando máxima histórica de fechamento, o S&P 500 subiu 1,16% e o Nasdaq subiu 0,80%, a 11.924,13 pontos. O papel da Moderna saltou 9,55% e, na contramão, o da Pfizer cedeu 3,31%.

"As ações nos EUA dispararam com as notícias otimistas sobre a vacina da Moderna, que junto com a vacina da Pfizer, aumentam as expectativas de um retorno à vida pré-pandemia antes do próximo inverno (no Hemisfério Norte)", explica o analista da Oanda, Edward Moya.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta, com os investidores reagindo a sinais de melhora das economias de China e Japão e a novas notícias promissoras de vacina contra a covid-19, que alimentam as expectativas de aumento da demanda pela commodity. Além disso, rumores de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) concordaram em estender os cortes de produção contribuíram para o avanço dos preços do óleo.

Hoje, o WTI para dezembro fechou em alta 3,01%, a US$ 41,34 o barril, equanto o Brent para janeiro subiu 2,43%, a US$ 43,82 o barril. De acordo com a Reuters, a maioria dos membros da Opep+ aceitou em reunião técnica hoje estender por três meses, a partir de janeiro, os atuais cortes na oferta da commodity. O Comitê de Monitoramento Ministerial Conjunto (JMMC, na sigla em inglês) tem encontro marcado para amanhã, quando é esperado anúncio sobre o tema. O cumprimento pela Opep+ do acordo de redução na oferta de petróleo caiu para 96% em outubro. / MATHEUS FAGUNDE E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.